Leitura de Janeiro

Dezembro 31, 2007

01/01 – Gênesis Cap: 1 – 3
02/01 – Gênesis Cap. 4 – 7
03/01 – Gênesis Cap. 8 – 11
04/01 – Gênesis Cap. 12 – 15
05/01 – Gênesis Cap. 16 – 19
06/01 – Gênesis Cap. 20 – 22
07/01 – Gênesis Cap. 23 – 25
08/01 – Gênesis Cap. 26 e 27
09/01 – Gênesis Cap. 28 – 30
10/01 – Gênesis Cap. 31 – 33
11/01 – Gênesis Cap. 34 – 36
12/01 – Gênesis Cap. 37 – 39
13/01 – Gênesis Cap. 40 – 42
14/01 – Gênesis Cap. 43 – 45
15/01 – Gênesis Cap. 46 e 47
16/01 – Gênesis Cap. 48 – 50
17/01 – Êxodo Cap. 1 – 4
18/01 – Êxodo Cap. 5 – 8
19/01 – Êxodo Cap. 9 – 11
20/01 – Êxodo Cap. 12 e 13
21/01 – Êxodo Cap. 14 e 15
22/01 – Êxodo Cap. 16 e 17
23/01 – Êxodo Cap. 18 – 20
24/01 – Êxodo Cap. 21 – 23
25/01 – Êxodo Cap. 24 – 27
26/01 – Êxodo Cap. 28 e 29
27/01 – Êxodo Cap. 30 e 31
28/01 – Êxodo Cap. 32 e 33
29/01 – Êxodo Cap. 34 – 36
30/01 – Êxodo Cap. 37 e 38
31/01 – Êxodo Cap. 39 e 40

     


    PARÁBOLAS DE JESUS

    Dezembro 31, 2007

    PARÁBOLAS DE JESUS

    Parábola é uma narrativa, imaginada ou verdadeira, que se apresenta com o fim de ensinar uma verdade. Difere do provérbio neste ponto: não é a sua apresentação tão concentrada como a daquele, contém mais pormenores, exigindo menor esforço mental para se compreender. E difere da alegoria, porque esta personifica atributos e as próprias qualidades, ao passo que a parábola nos faz ver as pessoas na sua maneira de proceder e de viver. E também difere da fábula, visto como aquela se limita ao que é humano e possível.
    O emprego contínuo que Jesus fez das parábolas está em perfeita concordância com o método de ensino ministrado ao povo no templo e na sinagoga. Os escribas e os doutores da Lei faziam grande uso das parábolas e da linguagem figurada, para ilustração das suas homilias. Tais eram os Hagadote dos livros rabínicos. A parábola tantas vezes aproveitada por Jesus, no Seu ministério (Mc 4.34), servia para esclarecer os Seus ensinamentos, referindo-se á vida comum e aos interesses humanos, para patentear a natureza do Seu reino, e para experimen­tar a disposição dos Seus ouvintes (Mt 21.45; Lc 20.19). As parábolas do Salvador diferem muito umas das outras. Algumas são breves e mais difíceis de compreender. Algumas ensinam uma simples lição moral, outras uma profunda verdade espiritual.

    Estas são as parábolas proferidas por Jesus:

    01 – O Semeador
    Mateus 13.5-8
    02 – O Joio
    Mateus 13.24-30
    03 – O Grão de Mostarda
    Mateus 13.31,32
    04 – O Fermento
    Mateus 13.33
    05 – O Tesouro Escondido
    Mateus 13.44
    06 – A Pérola
    Mateus 13.45,46
    07 – A Rede
    Mateus 13.47-50
    08 – A Ovelha Perdida
    Mateus 18.12-14
    09 – O Credor Incompassivo
    Mateus 18.23-35
    10 – Os Trabalhadores da Vinha
    Mateus 20.1-16
    11 – Os Dois Filhos
    Mateus 21.28-32
    12 – Os Lavradores Maus
    Mateus 21.33-46
    13 – As Bodas
    Mateus 22.1-14
    14 – As Dez Virgens
    Mateus 25.1-13
    15 – Os Talentos
    Mateus 25.14-30
    16 – A Semente
    Marcos 4.26-29
    17 – Os Dois Devedores
    Lucas 7.41-43
    18 – O Bom Samaritano
    Lucas 10.25-37
    19 – O Amigo Importuno
    Lucas 11.5-8
    20 – O Rico Louco
    Lucas 12.16-21
    21 – A Figueira Estéril
    Lucas 13.6-9
    22 – A Grande Ceia
    Lucas 14.16-24
    23 – A Drácma Perdida
    Lucas 15.8-10
    24 – O Filho Pródigo
    Lucas 15.11-32
    25 – O Administrador Infiel
    Lucas 16.1-9
    26 – O Rico e Lázaro
    Lucas 16.19-31
    27 – Os Servos Inúteis
    Lucas 17.7-10
    28 – O Juiz Iníquo
    Lucas 18.1-8
    29 – O Fariseu e o Publicano
    Lucas 18.9-14
    30 – As Dez Minas
    Lucas 19. 12-27

    Elias R. de Oliveira


    O SENHOR JESUS CRISTO

    Dezembro 31, 2007

    O SENHOR JESUS CRISTO

    I. SUA EXISTÊNCIA

    A) Provada pelo AT:
    (Mq 5.2; Is 9:6 “Pai da Eternidade”)

    B) Provada pelo NT:
    1) João 1.1, em comparação com o versículo 14.
    2) Jo 8.58 “Antes que Abraão existisse, eu sou (i.e., Já existia)”

    C) Provadas por Obras:
    Certas obras atribuídas a Cristo exigem Sua preexistência (e.g., criação, Cl 1.16)

    D) Provada por Aparições:
    As aparições do Anjo do Senhor (Ex 3.2,4)

    E) Provada pelos Seus Nomes:
    1) Logos
    2) Filho de Deus
    3) Javé

    II. SUA ENCARNAÇÃO

    A) Significa:
    Estar em carne.

    B) Seu Meio:
    O nascimento virginal.
    1) Predito (Is 7.14)
    2) Provado – O pronome feminino empregado em Mt 1.16 indica que o nascimento de Jesus veio por Maria apenas, sem participação de José.

    C) Suas Razões:
    1) Revelar Deus aos homens (Jo 1.18)
    2) Prover um exemplo de vida (1Pe 2.21).
    3) Prover um sacrifício pelo pecado (Hb 10.1-10).
    4) Destruir as obras do diabo (1Jo 3.8).
    5) Ser um sumo sacerdote misericordioso (Hb 5.1,2).
    6) Cumprir a aliança davídica  (Lc 1.31-33).
    7) Ser sobremaneira exaltado (Fp 2.9).

    D) A Pessoa:
    A Pessoa do Cristo encarnado incluía:
    1) Divindade plenamente mantida.
    2) Perfeita humanidade.
    3) União numa única Pessoa para sempre.

    III. SUA HUMANIDADE

    A) Ele Possuía um Corpo Humano:
    1) Nascido de mulher (Gl 4.4).
    2) Sujeito a crescimento (Lc 2.52).
    3) Visto e tocado por homens (1Jo 1.1; Mt 26.12).
    4) Sem pecado (Hb 4.15).

    B) Ele Possuía Alma e Espírito Humanos:
    Mt 26.38; Lc 23.46

    C) Ele Foi sujeito às Limitações da Humanidade:
    1) Ele sentiu fome (Mt 4.2).
    2) Ele sentiu sede (Jo 19.28).
    3) Ele se cansou (Jo 4.6).
    4) Ele chorou (Jo 11.35).
    5) Ele foi tentado (Hb 4.15).

    D) Ele Recebeu Nomes Humanos:
    1) Filho do Homem (Lc 19.10).
    2) Jesus (Mt 1.21).
    3) Filho de Davi (Mc 10.47).
    4) Homem (Is 53.3; 1Tm 2.5)

    E) Ele foi Capaz de Morrer.

    IV. SUA DIVINDADE

    A) Provada pelos Seus Nomes:
    1) Deus (Hb 1.8).
    2) Filho de Deus (Mt 16.16; 26.61-64).
    3) Senhor (Mt 22.43-45).
    4) Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Ap 19.16).

    B) Provada por Suas Características:
    1) Onipotência (Mt 28.18).
    2) Onisciência (Jo 1.48).
    3) Onipresença (Mt 18.20).
    4) Vida (Jo 1.4; 5.26);
    5) Verdade (Jo 14.6).
    6) Imutabilidade (Hb 13.8)

    C) Provada por Suas Obras:
    1) Criação (Jo 1.3).
    2) Sustentação (Cl 1.17).
    3) Perdão de pecados (Lc 7.48).
    4) Ressurreição dos mortos (Jo 5.25).
    5) Julgamento (Jo 5.27).
    6) Envio do Espírito Santo (Jo 15.26).

    D) Provada pela Adoração Oferecida a Ele:
    1) Por Anjos (Hb 1.6).
    2) Por homens ( Mt 14.33).
    3) Por todos (Fp 2.10).

    E) Provada por Igualdade na Trindade:
    1) Com o Pai (Jo 14.23; 10.30).
    2) Com o Pai e o Espírito (Mt 28.19; 2Co 13.13).

    V. SUA VIDA TERRENA

    A) Sua Preparação:
    1) Nascimento.
    2) Infância, pré-adolescência e crescimento até a maturidade.
    3) Batismo.
    4) Tentação.

    B) Sua Pregação:
    1) Ministério inicial na Judéia (Jo 2.13 – 4.3).
    2) Ministério na Galiléia (Mc 1.14 – 9.50).
    3) Ministério da Peréia (Lc 9.51 – 19.28)

    C) Sua Paixão:
    1) A última semana em Jerusalém (lc 19.29 – 22.46)
    2)Traição e prisão (Jo 18.2-13).
    3) Julgamento perante Anás (Jo 18.12-24).
    4) Julgamento perante Caifás (Mc 14.53 – 15.1).
    5) Julgamento perante Pilatos (Mc 15.1-5).
    6) Julgamento perante Herodes   (Lc 23.8-12).
    7) Segundo Julgamento perante Pilatos ( Mc 15.6-15).
    8) Crucificação.
    9) Sepultamento.
    10) Ressurreição.

    D) Seu Ministério Pós-Ressurreição e Sua Ascensão.

    VI. A KENOSIS

    A) Significado:
    Lit., esvaziamento. Em outras palavras, quais foram as limitações do Cristo encarnado sobre a terra?

    B) Texto:
    Fp 2.7, “a si mesmo se esvaziou”.

    C) A Verdadeira Doutrina da Kenosis:
    Envolve:
    1) O encobrimento de sua glória pré-encarnada.
    2) Sua condescendência em assumir a semelhança de carne pecaminosa durante a encarnação.
    3) O não-uso voluntário de alguns de Seus atributos durante Sua vida terrena.

    D) Teoria Falsa da Kenosis:
    Cristo abriu mão (perdeu) de certos atributos durante Sua vida terrena. Se isso tivesse acontecido, Ele teria deixado de ser Deus durante aquele período.

    VII. SUA IMPECABILIDADE

    A) Significado:
    Cristo era incapaz de pecar. Isso não significa que Cristo era apenas capaz de não pecar.

    B) Objeção:
    Se Cristo era incapaz de pecar, não poderia ter sido genuinamente tentado e, portanto, não poderia ser um sumo sacerdote compassivo (Hb 4.15).

    C) Resposta:
    A realidade da tentação não está na natureza moral da pessoa tentada e nem depende dela, e a possibilidade de compaixão não depende de uma correspondência específica entre os problemas enfrentados.

    D) Resultados:
    1) A tentação provou a impecabilidade de Cristo.
    2) A tentação O capacitou a ser um sumo sacerdote misericordioso.

    VIII. SUA MORTE

    A) Seu destaque:
    1) No AT ela é como um fio escarlate percorrendo a história, como o próprio Cristo demonstrou (Lc 24.27,44).
    2) No NT ela é mencionada pelo menos 175 vezes.
    3) É o propósito máximo da encarnação de Cristo (Mt 20.28; Hb 2.14). 4) É o coração do próprio evangelho ( 1Co 15.1-3).

    B) Sua descrição:
    1) Um resgate – A morte de Cristo pagou o preço da penalidade pelo pecado (Mt 20.28; 1Tm 2.6).
    2) Uma reconciliação – A posição do mundo em relação a Deus foi modificada pela morte de Cristo, de tal modo que todos os homens agora podem ser salvos (2Co 5.18,19).
    3) Uma propiciação – A justiça de Deus foi satisfeita com a morte de Cristo (1Jo 2.2).
    4) Uma substituição – Cristo morreu no lugar dos pecadores (2Co 5.21).
    5) Uma prova do amor de Deus – (Rm 5.8)

    IX. SUA RESSURREIÇÃO

    A) O fato da Ressurreição:
    1) O túmulo vazio.
    2) As aparições:
    A. A Maria Madalena (Jo 20.11-17).
    B. Às outras mulheres ( Mt 28.9,10).
    C. A Pedro (1Co 15.5).
    D. Aos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35).
    E. Aos dez discípulos (Lc 24.36-43).
    F. Aos onze discípulos (Jo 20.26-29).
    G. A sete discípulos junto ao mar da Galiléia (Jo 21.1-23).
    H. A mais de 500 pessoas ( 1Co 15.6).
    I. Aos onze em Sua ascensão (Mt 28.16-20).
    J. A Paulo (1Co 15.8).
    3) A existência da Igreja.
    4) A mudança operada nos discípulos.
    5) O dia de Pentecostes.
    6) A mudança do dia de culto para o domingo.

    B) A Natureza de Seu Corpo Ressurreto:
    1) Era um corpo real (Jo 20.20).
    2) Foi identificado com aquele que fora colocado no túmulo (Jo 20.25-29).
    3) Foi transformado de modo a nunca mais ser sujeito à morte e a limitações (Rm 6.9).

    C) O Significado da Ressurreição:
    1) Para Cristo:
    A. Provou que Ele era o Filho de Deus     (Rm 1.4).
    B. Confirmou a verdade de tudo que Ele dissera (Mt 28.6).
    2) Para todos os homens:
    A. Torna certa a ressurreição de todos (1Co 15.20-22).
    B. Garante a certeza do juízo vindouro (At 17.31).
    3) Para os Crentes:
    A. Dá certeza de aceitação perante Deus (Rm 4.25).
    B. Supre poder para o serviço cristão (Ef 1.19-22).
    C. Garante a ressurreição do crente  (2Co 4.14).
    D. Designa Cristo como cabeça da Igreja (Ef 1.19-22).
    E. Garante-nos um Sumo Sacerdote misericordioso no céu (Hb 4.14-16).

    X. SUA ASCENSÃO

    A) Características:
    At 1.9-11

    B) Significado:
    1) Fim do período de limitação a que Cristo se sujeitou.
    2) Exaltação (Ef 1.20-23).
    3) Precursor (Hb 6.20).
    4) Início de Seu ministério sumo sacerdotal (Hb 4.14-16).
    5) Preparação de um lugar para Seu povo (Jo 14.2).
    6) Senhorio sobre a Igreja (Cl 1.18)

    XI. SEU MINISTÉRIO ATUAL

    O atual ministério de Cristo no céu é todo relacionado, direta ou indiretamente, à Sua função de mediador, e é revelado por sete ilustrações.

    A) O Último Adão e a Nova Criação: (1Co 15.45; 2Co 5.17)
    Significado: Cristo como o Doador da vida.

    B) Cristo, o Cabeça e a Igreja, Seu Corpo:
    Significado: Direção, sustento, concessão de dons espirituais.

    C) Pastor e Ovelhas: (Jo 10)
    Significado: Direção e cuidado.

    D) Videira e Ramos: (Jo 15)
    Significado: Produção de fruto espiritual.

    E) Pedra Angular e Pedras do Edifício: (1Co 3.11; 1Pe 2.4-8)
    Significado: Vida, segurança.

    F) Sumo Sacerdote e Sacerdócio Real: (1Pe 2.5-9)
    Significado: Sacrifício e intercessão.

    G) Noivo e Noiva: (Ef 5.25-27)
    Significado: Prontidão.

    Extraído de: “A Bíblia Anotada”


    O ESPÍRITO SANTO

    Dezembro 31, 2007


    I. PERSONALIDADE DO ESPÍRITO

    A) Provada por Suas Características:
    1) Ele é inteligente (1Co 2.10,11).
    2) Ele tem emoções (Ef 4.30).
    3) Ele tem vontade ( 1Co 12.11).

    B) Provada por Sua Obras:
    1) Ele ensina (Jo 14.26).
    2) Ele guia (Rm 8.14).
    3) Ele comissiona (At 13.4).
    4) Ele dá ordens a homens ( At 8.29).
    5) Ele age no homem (Gn 6.3).
    6) Ele intercede (Rm 8.26). 7)
    7) Ele fala (Jo 15.26; 2Pe 1.21).

    C) Provada pelo que Lhe é Atribuído:
    1) Ele pode ser obedecido (At 10.19-21).
    2) Pode-se mentir a Ele (At 5.3).
    3) Ele pode ser resistido (At 7.51).
    4) Ele pode ser reverenciado (Sl 51.11).
    5) Pode-se blasfemar contra Ele (Mt 12.31).
    6) Ele pode ser entristecido (Ef 4.30).
    7) Ele pode ser ultrajado (Hb 10.29).

    D) Provado por Uma Gramática Incomum:
    A despeito do fato de a palavra grega para Espírito ser neutra em gênero, várias vezes se empregam pronomes masculinos para substituir o substantivo neutro, o que contraria todas as regras normais de gramática, mas indica a personalidade do Espírito (Jo 16.13,14; 15.26; 16.7,8)

    II. A DIVINDADE DO ESPÍRITO

    A) Provada pelos Seus Nomes:
    1) Nomes que relacionam o Espírito em pé de igualdade às demais Pessoas da Trindade (1Co 6.11).
    2) Nomes que O apresentam realizando obras que somente Deus pode fazer (Rm 8.15; Jo 14.16)

    B) Provada por Suas Características:
    O Espírito possui atributos divinos:
    1) Onisciência   (1Co 2.10,11).
    2) Onipresença (Sl 139.7).
    3) Onipotência (Gn 1.2).
    4) Verdade (1Jo 5.6).
    5) Santidade (Lc 11.13).
    6) Vida (Rm 8.2).
    7) Sabedoria (Is 40.13).

    C) Provada por Suas Obras:
    Ao Espírito são atribuídas obras que somente Deus pode realizar.
    1) Criação (Gn 1.2).
    2) Inspiração (2Pe 1.21).
    3) Gerar a Cristo em Sua encarnação (Lc 1.35).
    4) Convencer o homem (Jo 16.8).
    5) Regenerar o homem (Jo 3.5,6).
    6) Consolar  (Jo 14.16).
    7) Interceder (Rm 8.26,27).
    8) Santificar (2Ts 2.13).

    D) Provada por Sua Associação em pé de igualdade:
    Com as demais Pessoas da Trindade (At 5.3,4; Mt 28.19; 2Co 13.13)

    III. A PROCESSÃO (procedência)  DO ESPÍRITO

    A) Definição:
    Processão é uma palavra que tenta descrever o eterno relacionamento entre o Espírito e as outras duas Pessoas da Trindade. Ele procedeu eternamente do Pai e do Filho sem que isso dividisse ou alterasse, de algum modo, a natureza de Deus.

    B) História:
    Este conceito foi formulado no Credo de Constantinopla em 381. Em 589, o sínodo de Toledo acrescentou a famosa cláusula latina “filioque”, que afirmava que o Espírito procedia do Pai e do Filho.

    C) Escrituras:
    João 15.26 afirma expressamente que o Espírito procede do Pai, ao passo que a idéia de Sua processão do Filho vem de versículos como Gálatas 4.6, Rm 8.9 e Jo 16.7.

    IV. TIPOS E ILUSTRAÇÕES DO ESPÍRITO

    Vestimenta ( Lc 24.49)
    Pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32)
    Penhor (2Co 1.22; 5.5; Ef 1.14)
    Fogo (At 2.3)
    Óleo (Lc 4.18; At 10.38; 2Co 1.21; 1Jo 2.20)
    Selo (2Co 1.22; Ef 1.13; 4.30)
    Servo ( Gn 24)
    Água (Jo 4.14; 7.38,39)
    Vento (Jo 3.8; At 2.1,2)

    V. OBRA DO ESPÍRITO NO ANTIGO TESTAMENTO

    A) Na Criação:
    O Espírito deu à criação:
    1) Vida (Sl 104.30; Jó 33.4).
    2) Ordem (Is 40.12; Jó 26.13).
    3) Beleza ( Sl 33.6; Jó 26.13).
    4) Preservação (Sl 104.30).

    B) No Homem:
    1) Habitação Seletiva:
    a) O Espírito estava em certas pessoas na época do AT (Gn 41.38; Nm 27.18; Dn 4.8; 5.11-14; 6.3)
    b) O Espírito vinha sobre várias pessoas   (Jz 3.10; 6.34; 11.29; 13.25; 1Sm 10.9,10; 16.13) c) O Espírito enchia alguns (Ex 31.3; 35.31). Assim, Seu relacionamento pessoal com os homens no AT era limitado, pois nem todos experimentavam Sua ação e esta não era necessariamente permanente em todos os casos    (Sl 51.11)
    2) Capacitação para serviço (especialmente na construção do Tabernáculo, Ex 31.3, mas também em outras circunstâncias, Jz 14.6).
    3) Restrição geral ao pecado     (Gn 6.3).

    VI. A OBRA DO ESPÍRITO NA REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

    A) Definições:
    1) Revelação significa o desvendamento de algo que era previamente encoberto ou desconhecido. A revelação diz respeito ao material (i.e., o que).
    2) Inspiração é o processo divino de supervisão dos autores humanos da Bíblia, de modo que, usando suas próprias personalidades e estilos, compuseram e registraram sem erro as palavras de Deus pra Sua revelação ao homem nos manuscritos originais (os autógrafos). A inspiração diz respeito ao modo (i.e., o como).

    B) O Autor da Revelação É o Espírito Santo:
    A passagem mais específica é 2 Pedro 1.21  (cf. 2Sm 23.2; Ez 2.2; Mq 3.8; Mt 22.43; At 1.16; 4.25)

    C) Os Meios da Revelação:
    O Espírito usou:
    1) A palavra falada (Ex 19.9).
    2) Sonhos (Gn 20; 31).
    3) Visões (Is 6.1).
    4) A Palavra escrita (Jo 14.26; 1Co 2.13).
    5) Cristo

    D) O Autor da Inspiração É o Espírito Santo:
    1) Do A.T. (2Sm 23.2,3; 2Tm 3.16; Mc 12.36;  At 1.16; 28.25; Hb 3.7; 10.15,16).
    2) Do N.T.
    A) A inspiração do NT foi pré-autenticada por Cristo (Jo 14.26).
    B) Ela é afirmada pelos autores do NT (1Co 14.37; Gl 1.7,8; 1Ts 4.2,15;  2Ts 3.6,12,14).
    C) Ela é atestada mutuamente pelos apóstolos (1Tm 5.18; 2Pe 3.16).

    VII. A OBRA DO ESPÍRITO NA VIDA DE CRISTO

    A) Em Seu Nascimento Virginal:
    O Espírito Santo realizou a concepção no útero de Maria   (Lc 1.35).

    B) Em Sua Vida:
    1) Cristo foi ungido pelo Espírito (Lc 4.18; At 10.38). Essa unção ocorreu em Seu batismo, mas não é idêntica ao batismo (Jo 1.32). Essa unção significa capacitação para o serviço.
    2) Cristo foi cheio do Espírito (Lc 4.1).
    3) Cristo foi selado com o Espírito (Jo 6.27)
    4) Cristo foi guiado pelo Espírito (Lc 4.1).
    5) Cristo foi capacitado pelo Espírito     (Mt 12.28).

    C) Em Sua Morte:
    (Cf. Hb 9.14; alguns citam também Rm 1.4)

    D) Em Sua Ressurreição:
    (1Pe 3.18, possivelmente.)

    VIII. A OBRA DO ESPÍRITO NA SALVAÇÃO

    A) Convencimento: (Jo 16.8-11)
    1) Definição: Convencer (Jo 16.8) significa esclarecer a verdade do evangelho perante a pessoa não salva, de modo que seja reconhecida como verdade, quer a pessoa receba ou não a cristo como seu Salvador.
    2) Detalhes:
    a) Do pecado. O estado pecaminoso do homem se deve à sua incredulidade.
    B) Da Justiça. O homem é convencido da justiça de Cristo porque Ele ressurgiu e ascendeu à direita do Pai.
    C) Do juízo. O Espírito convence sobre o juízo vindouro porque satanás (o maior inimigo) já foi julgado.

    B) Regeneração: (Tt 3.5)
    1) Definição: O ato divino de geração espiritual, pelo qual Ele comunica vida eterna e nova natureza.
    2) Meio: É a obra de Deus, particularmente do Espírito  (Jo 3.3-7; Tt 3.5). A fé é o requisito humano em presença do qual o Espírito regenera, e a Palavra de Deus fornece o conteúdo cognitivo da fé.
    3) Características:
    a) É um ato instantâneo, não um processo (embora seus antecedentes e conseqüências possam ser processos).
    b) É não-experimental (não se deriva ou baseia em experiência, embora seja seguida das experiências comuns à vida cristã).
    4) Conseqüências:
    a) Uma nova natureza (2Co 5.17)
    b) Uma nova vida ( 1Jo 2.29).

    C) Habitação: ( 1Co 6.19).
    1) As pessoas habitadas: Todos os verdadeiros crentes, porque:
    a) Mesmos crentes em pecado desfrutam da habitação (1Co 6.19)
    b) O Espírito é um dom ( Rm 5.5)
    c) A ausência do Espírito é prova da condição de não-salvo (Rm 8.9).
    2) A Permanência da habitação: Os crentes podem perder a plenitude do Espírito, mas não a Sua habitação (Jo 14.16).
    3) Problemas com a habitação:
    a) A obediência é uma condição  (At 5.32)? Sim, mas a obediência à fé cristã (At 6.7; Rm 1.5)
    b) Algumas pessoas não foram apenas temporariamente habitadas? Sim, mas apenas antes do dia de Pentecostes (1Sm 16.14)
    c) Qual a relação entre a unção e a habitação? Elas ocorrem ao mesmo tempo, mas com propósitos diferentes: a habitação é a presença de Deus na vida do crente, ao passo que a unção o capacita a ser ensinado pelo Espírito (1Jo 2.20,27).

    IX. OS DONS DO ESPÍRITO

    A) Definição:
    Um dom espiritual é uma capacidade dada por Deus ao crente para desempenho de um serviço. Não é um lugar de serviço, nem um ministério para um grupo etário especifico, nem um procedimento.

    B) Distribuição:
    1) Fonte: O Espírito ( 1Co 12.11)
    2) Extensão: Todo crente tem pelo menos um, mas não todos (1Pe 4.10).
    3) Tempo: Cada geração pode ou não ter todos os dons. Alguns dons foram concedidos para o estabelecimento, a fundação da Igreja (Ef 2.20)

    C) Desenvolvimento:
    Essas capacidades podem e devem ser desenvolvidas por quem as tem.

    D) Descrição:
    Listas de dons se encontram em Rm 12.6-8; 1Co 12.8-10, 28-30; Ef 4.11

    X. A PLENITUDE DO ESPÍRITO

    A) Definição:
    Ter a plenitude do Espírito, ou ser cheio do Espírito, significa ser controlado pelo Espírito (Ef 5.18)

    B) Características:
    1) A plenitude do Espírito é uma ordem pra o crente (Ef 5.18, o verbo é um imperativo)
    2) A plenitude é passível de repetição (At 2.4; 4.31)
    3) A plenitude do Espírito produz semelhança a Cristo ( Gl 5.22,23)

    C) Condições para Estar Cheio do Espírito:
    1) Uma vida dedicada (consagrada): A submissão ao controle do Espírito, embora ordenada, é voluntária e exige atos de dedicação. Isto inclui dois aspectos: Dedicação Inicial (Rm 12.1,2) e a Dedicação Continua da Vida (Rm 8.14).
    2) Uma Vida Vitoriosa: Vitória diária sobre o pecado no cotidiano é uma necessidade para esse controle do Espírito (Ef 4.30). Isto significa reagir corretamente à luz da Palavra à medida que esta é revelada (1Jo 1.7)
    3) Uma Vida de Dependência: Este é o significado de “andar no Espírito” (Gl 5.16).

    D) Conseqüências:
    Ser cheio o controlado pelo Espírito significa:
    1) Um caráter semelhante ao de Cristo ( Gl 5.22,23)
    2) Adoração e Louvor (Ef 5.18-20)
    3) Submissão (Ef 5.21)
    4) Serviço (Jo 7.37-39)

    XI. OUTROS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO

    Ensino: Jo 16.12-15
    Orientação: Rm 8.14
    Convicção: Rm 8.16
    Intercessão: Rm 8.26; Ef 6.18

    Fonte: “A Bíblia Anotada”


    O SENHOR DEUS

    Dezembro 31, 2007


    I. A EXISTÊNCIA DE DEUS.

    A) Argumentos Naturalistas para a Existência de Deus:

    1) Cosmológico.
    Da palavra grega Kosmos, “mundo”. O universo é um efeito que exige uma causa adequada, e a única causa suficiente é Deus (Sl 19.1).

    2) Teleológico.
    Da palavra grega Telos, “fim”. O universo não apenas prova a existência de um Criador, mas indica a existência de uma Planejador (Rm 1.18-20). Há um propósito observável no universo que indica a existência de Deus como seu planejador.

    3) Antropológico.
    Da palavra grega anthropos, “homem”. Já que o home é um ser moral e intelectual, deve ter um Criador que também seja moral e inteligente (At 17.29). A natureza moral, os instintos religiosos, a consciência e a natureza emocional do homem argumentam em favor da existência de Deus.

    4) Ontológico.
    Da palavra grega on, “existente, ser”. O homem tem a idéia inerente de um Ser Perfeito. Esta idéia naturalmente inclui o conceito de existência, já que um ser, em tudo mais perfeito, que não existisse, não seria tão perfeito quanto um ser perfeito que existisse. Portanto, visto que a idéia de existência está contida na idéia de um Ser Perfeito, esse Ser Perfeito deve necessariamente existir.

    B) Argumentos Bíblicos para a Existência de Deus:
    Os autores bíblicos tanto presumem quanto defendem a existência de Deus.

    II. OS ATRIBUTOS DE DEUS.

    A) Definição:
    Um atributo é uma propriedade intrínseca ao seu sujeito, pela qual ele pode ser distinguido ou identificado.

    B) Classificações:
    A maioria dos sistemas de classificação dos atributos baseia-se no fato de que alguns deles pertencem exclusivamente a Deus (e.g., infinitude) e outros se encontram, de maneira limitada e num sentido relativo, também no homem (e.g., amor); assim, a terminologia dessas classificações inclui incomunicáveis e comunicáveis; absolutos e relativos; imanentes e transitivos; constitucionais e pessoais.

    C) Descrição:
    (Atributos absolutos, incomunicáveis ou constitucionais, números de 1 a 9)

    1) Simplicidade:
    A. Significado- Deus é incomplexo, não composto, indivisível.
    B. Texto
    - Jo 4.24. C. Problema – A Simplicidade de Deus invalida a doutrina da Trindade? Não, porque a simplicidade tem a ver com a essência de Deus, e a Trindade com a Sua subsistência.

    2) Unidade:
    A. Significado - Deus é bom.
    B. Texto
    - Dt 6.4

    3) Infinitude:
    A. Significado - Deus não tem término ou fim.
    B. Texto
    - 1Rs 8.27; At 17.24

    4) Eternidade:
    A. Significado - Deus não está sujeito à sucessão do tempo.
    B. Texto
    - Gn 21.33; Sl 90.2
    C. Problema
    - Seria o tempo irreal para Deus? Não, Ele reconhece a continuidade dos acontecimentos, mas todos os acontecimentos, passados, presentes e futuros, são igualmente vívido pra Ele.

    5) Imutabilidade:
    A. Significado - Deus é imutável em natureza e prática.
    B. Texto
    - Tg 1.17
    C. Problema
    - Será que Deus muda de idéia ou Se arrepende (Gn 6.6), como parece acontecer de nossa perspectiva; ou seria isto uma expressão do decreto permissivo de Deus? Ou uma maneira antropomórfica de descrever aparentes mudanças no curso dos acontecimentos?

    6) Onipresença:
    A. Significado - Deus está em todo lugar (não em todas as coisas, que é panteísmo).
    B. Texto
    - Sl 139.7-12

    7) Soberania:
    A. Significado - Deus é o governante supremo do universo.
    B. Texto
    - Ef 1

    8) Onisciência:
    A. Significado - Deus conhece todas as coisas, reais e possíveis.
    B. Texto
    - Mt 11.21

    9) Onipotência:
    A. Significado - Deus possui todo poder.
    B. Texto
    - Ap 19.6 (Atributos relativos, comunicáveis ou pessoais, Nm 10 a 14).

    10) Justiça:
    A. Significado - Equidade moral, imparcialidade no trato com Suas criaturas.
    B. Texto –
    At 17.31

    11) Amor:
    A. Significado - A busca divina do bem maior das criaturas na manifestação de Sua vontade. B. Texto - Ef 2.4,5

    12) Verdade:
    A. Significado - Concordância e coerência com tudo que é representado pelo próprio Deus.
    B. Texto
    - Jo 14.6

    13) Liberdade:
    A. Significado - Independência divina de Sua criaturas.
    B. Texto
    - Is 40.13,14

    14) Santidade:
    A. Significado - Retidão moral.
    B. Texto
    - 1Jo 1.5

    III. OS NOMES DE DEUS

    A. Nomes Primários do A.T.

    1) Javé (Yahweh):
    A. Significado - O Auto-Existente (de Ex 3.14, “Eu Sou o Que Sou”).
    B. Características
    - É o nome do relacionamento entre o verdadeiro Deus e Seu povo, e, quando usado, enfatiza a santidade de Deus, o Seu ódio pelo pecado e amor aos pecadores.

    2) Elohim:
    A. Significado - O Forte.
    B. Características
    - É uma palavra usada para o verdadeiro Deus e deuses pagãos. É um substantivo plural, o chamado plural majestático. O plural permite a revelação subseqüente da Trindade no N.T., mas não ensina a Trindade propriamente dita.

    3) Adonai:
    A. Significado - Senhor, Mestre.
    B. Características
    - Usado para homens de Deus, e indica o relacionamento senhor-servo,

    B) Nomes Compostos do A.T.

    1) com El:

    A. El Elyon - traduzido por Altíssimo (Is 14.13,14).
    B. El Roi - O Forte que Vê (Gn 16.13).
    C. El Shaddai - Deus Todo-Poderoso (Gn 17.1-20).
    D. El Olam - O Eterno Deus (Is 40.28).

    2) com Javé:

    A. Javé Jireh - O Senhor Proverá (Gn 22.13,14).
    B. Javé Nissi - O senhor é minha bandeira (Ex 17.15).
    C. Javé Shalom - O Senhor é paz (Jz 6.24).
    D. Javé Sabbaoth - O Senhor dos Exércitos (1Sm 1.3).
    E. Javé Maccadeshkem - O Senhor que te santifica (Ex 31.13).
    F. Javé Raah - O Senhor é o meu Pastor (Sl 23.1).
    G. Javé Tsidkenu - O Senhor justiça nossa (Jr 23.6).
    H. Javé El Gmolah - O Senhor Deus da recompensa (Jr 51.56).
    I. Javé Nakeh - O Senhor que fere (Ez 7.9).
    J. Javé Shammah - O Senhor que está presente (Ez 48.35)

    IV. O DECRETO DE DEUS

    A) Definição:
     “O decreto de Deus é o Seu eterno propósito, segundo o conselho de sua própria vontade, pelo qual, para Sua própria glória, Ele preordenou tudo que acontece.”

    B) Termos Relacionados:
    -Onisciência – Conhecimento de todas as coisas, reais ou possíveis.
    -Presciência – Conhecimento prévio de todas as coisas incluídas no curso real dos eventos.
    -Predestinação – A determinação prévia do destino dos eleitos.
    -Retribuição – Punição merecida aos ímpios.
    -Eleição – A escolha de um povo por Deus para Si mesmo.
    -Preterição – A omissão dos não-eleitos.

    C) A Natureza do Decreto:
    Há apenas um decreto, que envolve tudo, embora no desenrolar dos acontecimentos haja seqüência constante. Há, também, uma distinção conveniente entre decretos permissivos e diretivo.
    O Decreto é todo-abrangente (Ef 1.11), embora Deus não tenha o mesmo relacionamento com todas as coisas nele contidas.
    Nem todos os desejos de Deus estão necessariamente incorporados ao decreto.
    Tudo que Deus decretou tem como fim último a Sua glória.
    O mal não se torna bem simplesmente pelo fato de o pecado ter sido incluído como parte do propósito de Deus.

    D) Objeções ao Decreto:
    Não é coerente com a liberdade humana. (Todavia, todos os meios, como oração e testemunho, por exemplo, são parte do plano de Deus.)
    O decreto torna Deus autor do pecado. (Embora Deus tenha incluído o pecado em Seu plano, Ele nunca é responsável pela prática do pecado.)
    A doutrina do decreto é equivalente ao fatalismo. (O fatalismo enfatiza apenas os fins e faz do acaso, não de Deus, o poder governante.)

    V. A TRINDADE

    A) Definição:
    Há apenas um Deus, mas, na unidade da Divindade, há três pessoas eternas e iguais entre si, idênticas em substância mas distinta em existência (ou subsistência).

    B) Prova:
    Indícios no A.T. – O A.T. não revela a Trindade mas dá lugar e indícios para uma revelação posterior. A. Passagens que usam a palavra plural Elohim e pronomes plurais para se referirem a Deus (Gn 1.1,26; Is 6.8). B. Passagens que falam do Anjo do Senhor (Gn 22.11, 15-16).
    Confirmação no N.T. – No N.T. há revelação clara de que o Pai, Filho e Espírito são Deus; assim, uma Triunidade ou Trindade (nenhuma das duas palavras está na Bíblia). A. O Pai é Deus (Jo 6.27; Ef 4.6). B. Jesus Cristo é Deus (Hb 1.8). C. O Espírito é Deus (At 5.3,4). D. As três pessoas são igualmente associadas e apresentadas como um só ser (Mt 28.19, “nome”; 2Co 13.13).

    VI. O PAI

    A) Os relacionamentos do Pai:
    Pai de toda a criação (At 17.29)
    Pai da nação de Israel (Ex 4.22)
    Pai do Senhor Jesus Cristo (Mt 3.17)
    Pai dos crentes em Cristo (Gl 3.26)

    B) As obras Especificas do Pai:
    Autor do decreto (Sl 2.7-9)
    Autor da eleição (Ef 1.3-6)
    Comissionador e Enviador do Filho (Jo 3.16)
    Disciplinador de Seus filhos (Hb 12.9)

    Extraído de “A Bíblia Anotada”


    OS MILAGRES DE JESUS

    Dezembro 31, 2007

             MILAGRES DE JESUS


    01- Transformação de Água em Vinho
    João 2.1-11
    02 – Cura do filho do Oficial
    João 4.46-54
    03 – Cura do paralítico de Betesda
    João 5.1-9
    04 – Primeira Pesca
    Lucas 5.1-11
    05 – Libertação do Endemoninhado
    Marcos 1.23-28; Lucas 4.31-36
    06 – Cura da sogra de Pedro
    Mateus 8.14,15; Marcos 1.29-31; Lucas 4.38,39
    07 – Purificação do leproso
    Mateus 8.2-4; Marcos 1.40-45; Lucas 5.12-16
    08 – Cura do paralítico
    Mateus 9.2-8; Marcos 2.3-12; Lucas 5.18-26
    09 – Cura da mão ressequida
    Mateus 12.9-13; Marcos 3.1-5; Lucas 6.6-10
    10 – Cura do criado do centurião
    Mateus 8.5-13; Lucas 7.1-10
    11 – Ressurreição do filho da viúva de Naim
    Lucas 7.11-15
    12 – Cura de um endemoninhado mudo
    Mateus 12.22 e Lucas 11.14
    13 – Acalma a tempestade
    Mateus 8.18,23-27; Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25
    14 – Cura do endemoninhado geraseno
    Mateus 8.28-33; Marcos 5.1-14; Lucas 8.26-39
    15 – Cura da mulher enferma
    Mateus 9.20-22; Marcos 5.25-34; Lucas 8.43-48
    16 – Ressurreição da filha de Jairo
    Mateus 9.18, 23-26; Marcos 5.22-24, 35-43; Lucas 8.41,42,49-56
    17 – Cura de dois cegos
    Mateus 9.27-31
    18 – Cura do mudo endemoninhado
    Mateus 9.32,33
    19 – Primeira multiplicação de pães
    Mateus 14.14-21; Marcos 6.34-44; Lucas 9.12-17; João 6.5-13
    20 – Anda sobre as águas
    Mateus 14.24-33; Marcos 6.45-52; João 6.16-21
    21 – Cura da filha da Cananéia
    Mateus 15.21-28; Marcos 7.24-30
    22 – Cura de um surdo e gago
    Marcos 7.31-37
    23 – Segunda multiplicação de pães
    Mateus 15.32-39; Marcos 8.1-9
    24 – Cura do cego de Betsaida
    Marcos 8.22-26
    25 – Cura do jovem possesso
    Mateus 17.14-18; Marcos 9.14-29; Lucas 9.38-42
    26 – Pagamento do Imposto
    Mateus 17.24-27
    27 – Cura de um cego
    João 9.1-7
    28 – Cura de uma mulher enferma
    Lucas 13.10-17
    29 – Cura de um hidrópico
    Lucas 14.1-6
    30 – Ressurreição de Lázaro
    João 11.17-44
    31 – Cura dos leprosos
    Lucas 17.11-19
    32 – Cura do cego Bartimeu
    Mateus 20.29-34; Marcos 10.46-52; Lucas 18.35-43
    33 – A figueira é amaldiçoada
    Mateus 21.18,19; Marcos 11.12-14
    34 – Restauração da orelha de Malco
    Lucas 22.49-51; João 18.10
    35 – Segunda grande pesca
    João 21.1-11

    Elias R. de Oliveira


    LIVROS PROFÉTICOS

    Dezembro 31, 2007


    Livros Proféticos

    Lugar no cânon

    A segunda das três grandes seções em que se divide a Bíblia Hebraica é a chamada de os Profetas (hebr. nebiim), por sua vez, subdividida em dois grupos:
    Profetas anteriores e Profetas posteriores.

    Diferentemente das nossas Bíblias atuais, entre as quais se conta a presente edição, a Bíblia Hebraica considera proféticos e assim cataloga no grupo dos “anteriores” seis livros de caráter histórico: Josué, Juízes, 1 e 2Samuel, 1 e 2Reis.
    O conjunto dos posteriores é formado por Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze profetas menores, assim nomeados não porque o seu conteúdo seja de menor importância, mas porque são notavelmente menores que os escritos dos “três grandes profetas”.
    Por outro lado, enquanto que o índice da LXX (que é o adaptado pela Almeida) inclui Lamentações e Daniel entre os livros proféticos, a Bíblia Hebraica os coloca na terceira seção, entre os Escritos (ketubim).

    Os profetas e a sua mensagem

    Profeta é uma palavra derivada do vocábulo grego profetés, composto pela preposição pro, que tem valor locativo e equivale a “diante de”, “na presença de”, e o verbo femí, que significa “dizer” ou “anunciar”. Na LXX, encontramos profetés como tradução da palavra hebraica nabí, relacionada esta última a várias outras semíticas cujo sentido principal é anunciar ou comunicar alguma mensagem.

    Em âmbitos alheios ao texto da Bíblia, é freqüente dar o nome de profeta a alguém que transmite mensagens da parte de alguma divindade ou que se dedica à adivinhação do futuro. Porém, se se restringe o uso da palavra ao seu sentido bíblico, profeta é especialmente alguém a quem Deus escolhe e envia como o seu porta-voz, seja diante do povo ou de uma ou várias pessoas em particular. Não se trata, pois, na Bíblia, de adivinhos, magos, astrólogos ou futurólogos entregues a predizer acontecimentos futuros, mas de mensageiros do Deus de Israel, enviados para proclamar a sua palavra em precisos momentos históricos. Em certas ocasiões, a mensagem profética se referia a algum evento futuro, porém sempre vinculada a uma situação concreta e imediata na qual surgia a profecia (cf., p. ex., Is 7.1-25). Para descreverem o fato histórico, estão destinadas certas passagens que, na maioria dos livros, contemplam acontecimentos bem conhecidos e datados (p. ex., Jr 1.3, a conquista de Jerusalém Ez 1.1-3, a deportação para a Babilônia Is 1.1, Os 1.1, cronologias reais). Para se compreender o profundo sentido da palavra de Deus transmitida pelos profetas, deve-se prestar máxima atenção ao contexto histórico em que foi originalmente proclamada. Somente dessa forma será possível também atualizar a mensagem profética e aplicar o seu ensinamento às necessidades e circunstâncias do momento atual.

    Os profetas nos textos históricos

    A figura do profeta freqüentemente ocupa um lugar importante nos livros narrativos da Bíblia. Tal é o caso de Samuel, Natã, Elias e Eliseu, os quais tiveram uma significação especial na história de Israel. Porém, juntamente com eles, aparecem também outros profetas, homens e mulheres cujos nomes, em geral, são menos familiares ao leitor, como, p. ex., Aías, de Siló (1Rs 14.2-18) Débora (Jz 4.4-5.31) Gade, “vidente de Davi” (2Sm 24.11-14,18-19) Hulda (2Rs 22.14-20) Miriã, a irmã de Moisés e Arão (Êx 15.20-21) Micaías, filho de Inlá (1Rs 22.7-28). Esses relatos, às vezes, conservam palavras ou cantos dos profetas (p. ex., 1Sm 8.11-18 2Sm 7.4-16), ainda que a atenção do texto esteja voltada em geral para realçar a importância do ministério profético em circunstâncias decisivas da história de Israel (p. ex., 1Rs 18).

    A mensagem dos profetas

    Os profetas habitualmente introduzem as suas mensagens mediante fórmulas expressivas como “Assim diz o SENHOR “, “Palavra do SENHOR que veio a…” ou outras semelhantes e, freqüentemente, apresentam-se a si mesmos como enviados de Deus e investidos de autoridade para proclamar a sua palavra. Essa certeza pessoal de terem sido divinamente escolhidos para comunicar determinadas mensagens é um sinal característico da consciência profética. Assim, Isaías, que responde ao chamado do SENHOR: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8) ou Jeremias, que escuta a voz do SENHOR: “Eis que ponho na tua boca as minhas palavras” (Jr 1.9) ou Ezequiel, que ouve a ordem de Deus: “Vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras” (Ez 3.4) ou Amós, que se sente separado das suas tarefas pastoris e transforma-se em porta-voz de Deus: “Vai e profetiza ao meu povo de Israel” (Am 7.15).

    A literatura profética

    A literatura produzida pelo profetismo israelita na sua comunicação da palavra de Deus é rica em formas e estilos.
    Nela, estão visões (Jr 1.11-13 Am 7.1-9 8.1-3 9.1-4),
    hinos e salmos (Is 12.1-6 25.1-12 35.1-10),
    orações (Jn 2.2-10 Hc 3.2-19),
    reflexões de caráter sapiencial (Is 28.23-29 cf. Am 3.3-8) e
    temas alegóricos (Is 5.1-7) ou
    simbólicos (Is 20.1-6 Jr 13.1-14 Os 1-3).

    Significações particulares revestem os textos vocacionais, nos quais se descreve a situação em cujo meio Deus chama o profeta para exercer a sua atividade (Is 6.1-13 Jr 1.4-10 Ez 1.1-3.27 Os 1.1-3.5). Em relação à freqüência de aparições, as mensagens que mais se empregam são as que se referem à salvação ou ao juízo e à condenação.
    No primeiro caso, proclamam o amor, a misericórdia e a disposição perdoadora e restauradora de Deus em favor de seu povo (cf. Is 4.3-6 Jr 31.31-34 Ez 37.1,14).
    No segundo caso, os discursos sobre temas condenatórios – que, às vezes, começam com uma figura imprecatória como “Ai de… !” – primeiro denunciam os pecados cometidos pelas pessoas, seja por um ou vários indivíduos (cf. Is 22.15-19 Jr 20.1-6 Ez 34.1-10), pelas nações pagãs (cf. Am 1.3-2.3) ou pela nação israelita como um todo (cf. Is 5.8-30 Am 2.6-16) e, em continuação, anunciam o castigo correspondente.
    O Deus que os profetas pregam é um Deus exigente, que põe descoberto e faz justiça com extrema severidade ao pecado do seu povo eleito um Deus justo e santo que, por isso mesmo, não tolera a mentira, nem a idolatria, nem a injustiça, em nenhuma das suas manifestações. Porém, ao mesmo tempo, é um Deus cheio de compaixão, cuja glória consiste em revelar-se como libertador e salvador um Deus que quer beneficiar, com o seu favor e dons, a todos os seres humanos e não somente ao povo de Israel.

    E assim chegará o dia em que, ao ver a libertação desse povo que parecia perdido e sem remédio, todas as nações reconhecerão que o seu Deus é o único Deus e dirão: “Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas” (Is 2.3 cf. Ez 36.23,36 37.28 39.7-8).

    A influência dos profetas

    Os profetas exerceram uma influência decisiva tanto na religião de Israel quanto posteriormente no Cristianismo. Contudo, foram bem menos as ocasiões em que os primeiros destinatários da mensagem prestaram a devida atenção (cf. Ag 1.2-15). Pelo contrário, segundo o testemunho dos próprios textos bíblicos, a princípio faziam-se de surdos à voz dos profetas, as suas palavras caíam no vazio ou eram rechaçadas sem terem obtido a resposta requerida. Mais ainda, quando a comunicação profética molestava os ouvidos dos seus receptores, estes tratavam freqüentemente de fazer calar o mensageiro de Deus.
    Como diz Isaías: “Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR.
    Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões e aos
    profetas: Não profetizeis para nós o que é reto dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões;… não nos faleis mais do Santo de Israel” (Is 30.9-11) e
    Amós acusa Israel: “Aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis” (Am 2.12 cf. 7.10-13).

    Quando os intentos de fazer calar a mensagem profética se chocavam contra a fidelidade do profeta à palavra de Deus (cf. Jr 20.9), os ataques se dirigiam contra os próprios mensageiros, alegando que os seus anúncios tardavam muito em cumprir-se. Por isso, Isaías reprova o ceticismo dos seus ouvintes, que reclamavam: “Apresse-se Deus, leve a cabo a sua obra, para que a vejamos aproxime-se, manifeste-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos” (Is 5.19 cf. 28.9-10) e o mesmo faz Ezequiel aos que diziam: “Prolongue-se o tempo, e não se cumpra a profecia?” (Ez 12.22 cf. 2.3,7 12.26-28 33.30-33).

    Jesus conhecia os valores e o profundo significado do profetismo de Israel e também as dificuldades que rodeavam a existência dos profetas enviados por Deus. Por isso, deu testemunho de que o profeta não tem honra na sua própria terra (Jo 4.44) e, em certa ocasião, declarou isso para mostrar que o profeta não tem honra na sua própria terra, nem entre os seus parentes, nem mesmo em sua casa (Mc 6.4). Porém a mensagem profética continua vigente e não deixa de apelar à consciência humana, porque é a palavra de Deus, e há de prestar-lhe atenção como uma luz que ilumina lugares escuros, até que o dia amanheça e brilhe nos corações dos seres humanos (2Pe 1.19 cf. vs. 20-21).

    Fonte:
    iLúmina – A Bíblia do século XXI


    INSPIRADA POR DEUS

    Dezembro 31, 2007


    INSPIRADA POR DEUS


    Esta palavra deriva-se de in spiro, “soprar para dentro, insuflar”, aplicando-se na Escritura não só a Deus, como Autor da inteligência do homem (Jó 32.8), mas também à própria Escritura, como “inspirada por Deus” (2Tm 3.16). Nesta última passagem claramente se acha designada uma certa ação de Deus, com o fim de transmitir ao homem os Seus pensamentos. Ainda que se fale primeiramente de inspiração no AT, pode o termo retamente aplicar-se ao NT, como sendo este livro considerado também como Escritura. A palavra, significando “sopro de Deus”, indica aquela primária e fundamental qualidade que dá à Escritura o seu caráter de autoridade sobre a vida espiritual, e torna as suas lições proveitosas nos vários aspectos da necessidade humana.
    O que é a inspiração, pode melhor inferir-se da própria reivindicação da Escritura. Os profetas do AT afirmam falar segundo a mensagem que Deus lhes deu. O NT requer para o AT esta qualidade de autoridade divina. De harmonia com isto, fala-se em toda parte da Escritura, como sendo a “Palavra de Deus”. Tais designações como “as Escrituras” e “os oráculos de Deus” (Rm 3.2). havendo também frases como estas – “esta escrito” – claramente mostram a sua proveniência divina. Além disso, são atribuídas as palavras da Escritura a Deus como seu Autor (Mt 1.22; At 13.34), ou ao Espírito Santo (At 1.16; Hb 3.7); e a respeito dos escritores se diz que eles falavam pelo Espírito Santo (mt 2.15). E deste modo as própria palavras da Escritura são considerada de autoridade divina (Jo 10.34,35; Gl 34.16), e as suas doutrinas são designadas para a direção espiritual e temporal da humanidade em todos os tempos (Rm 15.4; 2Tm 3.16). O apóstolo Paulo reclama para as suas palavras uma autoridade igual à do AT como vindas de Deus; e semelhante coloca a sua mensagem ao nível das mais antigas Escrituras.
    A garantia de ter esta doutrina da Sagrada Escrituras autoridade divina está no ensinamento a respeito do ES, que foi prometido aos discípulos de Cristo como seu Mestre e Guia (Jo 14.26; 16.13).
    É melhor usar o termo “revelação” quando se tratar, propriamente, da matéria da mensagem, e a palavra “inspiração” quando quisermos falar do método pelo qual foi revelada a mensagem. Por inspiração da Escritura nós compreendemos a comunicação da verdade divina, que de certo modo é única em grau e qualidade. Como os apóstolos eram inspirados para ensinar de viva voz, não podemos pensar que não tivessem sido inspirados quando tinham de escrever. Por conseqüência, podemos considerar a inspiração como especial dom do Espírito Santo, pelo qual os profetas do AT, e os apóstolos e seus companheiros no NT, transmitiram a revelação de Deus, como eles a receberam.
    É claro o fato de uma única inspiração das Escrituras. Mas até onde se estende esta inspiração? Revelação é a manifestação dos pensamentos de Deus para a direção da vida do homem. Se a vontade divina tem de ser conhecida, e transmitida às gerações, deve ser corporificada em palavras; e para se estar certo dos pensamentos, é preciso que estejamos certos das palavras. A inspiração deve, portanto, estender-se à linguagem.
    Em 2Pe 1.21, os homens, e em 2Tm 3.16, a Escritura, diz-se serem inspirados; na verdade, não poderíamos ficar satisfeitos, considerando inspirados os homens, e não os seus escritos, porque a inspiração pessoal deve, necessariamente, exprimir-se pela escrita, se é certo que tem de perpetuar-se. A vida estender-se por toda parte do corpo, e não podemos realmente fazer distinção entre o espírito e a forma, entre a substância e o molde.
    Todavia, a expressão “inspiração verbal” precisa ser cuidadosamente determinada contra qualquer noção errônea. A possibilidade de haver má compreensão faz que muitos cristãos prefiram a frase “inspiração plenária”. A inspiração verbal não significa um ditado mecânico, como se os escritores fossem instrumentos meramente passivos: ditar não é inspirar. A inspiração verbal estabelece até que ponto vai a inspiração, estendendo-se tanto à forma como à substância. Diz-nos o “que é”, e não “como é”, não nos sendo explicado o método da operação do Espírito Santo, mas somente nos é dado conhecer o resultado. Deus fez uso das características natural de cada escritor, e por um ato especial do Espírito Santo, habilitou-os a comunicar ao homem, por meio da escrita, a Sua divina vontade. Observa-se esta associação do divino e do humano nas passagens como estas: Mt 1.22; 2.15; At 1.16; 3.18; 4.25. A operação do ES junta-se com a atividade mental do escritor, operando por meio dele e guiando-o. Ainda que não saibamos explicar o modo de tal operação, conhecemos os seus resultados. Certamente esta maneira de ver a respeito da inspiração refere-se somente aos escritos, como eles saíram das mãos dos escritores originais. Os manuscritos originais não foram preservados e por isso precisamos do auxílio de um minucioso criticismo textual de tal maneira que possamos aproximar-nos tanto quanto possível do tempo e das circunstância dos autógrafos.

    Esta maneira de compreender a inspiração pode ser justificada pelas seguintes considerações:
    a) O uso atual da Bíblia, na vida e obra da Igreja cristã, sendo acentuada a sua autoridade no ensinamento verbal.
    b) Uma ponderada e sábia exegese em todos os tempos mas especialmente em nossos dias.
    c) O recurso à Bíblia em todos os assuntos de controvérsia.
    d) A crença sobre este ponto nos tempos apostólicos e sub-apostólicos.
    e) O uso do AT pelos escritores do NT, notando-se 284 citações, e frases como “está escrito”.
    f) Jesus Cristo acha apoio no NT para suas considerações, como em Jo 10.30-36.
    g) Os profetas e os apóstolos consideravam-se homens inspirados (2Sm 23.2; Jr 36.4-8; 1Co 2.13; 14.37).

    É impossível limitar a inspiração à doutrina, e considerar a história como sujeita a circunstâncias comuns, pois que doutrina e história estão unidas de tal modo que não podem separar-se. A própria revelação de Cristo é a de uma pessoa histórica, sendo inseparável os fatos e as doutrinas que lhe dizem respeito. E diz o NT que a história do AT é inspirada e escrita pra nossa instrução (Rm 4.23,24; 15.4; 1Co 10.6,11).
    Sendo a Bíblia uma autoridade para nós, assim a devemos considerar, seja qual tenha sido o método da inspiração: porquanto o valor da autoridade realmente independente de todas as particularidades sobre o modo como foi inspirada. É auxiliado o estudo da inspiração pela analogia entre o Verbo encarnado e a Palavra escrita: ambos são divinos, e também são humanos, embora, em cada caso, é impossível dizer onde termina o divino e começa o humano. Ambos os elementos ali estão, reais e inseparáveis, de maneira que, quer se trate de Cristo ou da Bíblia, podemos dizer que tudo é perfeitamente humano e tudo é absolutamente divino.


    Fonte: Dicionário Bíblico Universal – p. 198


    BÍBLIA – NOVO TESTAMENTO

    Dezembro 31, 2007


    Bíblia – Novo Testamento

    O Cristianismo, nas suas etapas iniciais, considerou o Antigo Testamento como a sua única Bíblia. Jesus, como os seus discípulos e apóstolos e o resto do povo judeu, citou-o como “as Escrituras”, “a Lei” ou “a Lei e os Profetas” (cf. Mc 12.24 Mt 12.5 Lc 16.16).

    Com o passar do tempo, a Igreja, tendo entendido que em Cristo “as coisas antigas já passaram eis que se fizeram novas” (2Co 5.17), produziu muitos escritos acerca da vida e da obra do Senhor, estabeleceu e transmitiu a sua doutrina e estendeu a mensagem evangélica a regiões cada vez mais distantes da Palestina. Dentre esses escritos foi-se destacando aos poucos um grupo de vinte e sete, que pelos fins do séc. II começou a ser conhecido como Novo Testamento. Eram textos redigidos na língua grega, desiguais tanto em extensão como em natureza e gênero literário. Todos, porém, foram considerados com especial reverência como procedentes dos apóstolos de Jesus ou de pessoas muito próximas a eles.

    O uso cada vez mais freqüente que os crentes faziam daqueles vinte e sete escritos (convencionalmente chamados “livros”) conduziu a uma geral aceitação da sua autoridade. A fé descobriu, sem demora, nas suas páginas a inspiração do Espírito Santo e o testemunho fidedigno de que em Jesus Cristo, o Filho de Deus, cumpriam-se as antigas profecias e se convertiam em realidade as esperanças messiânicas do povo de Israel. Conseqüentemente, a Igreja entendeu que os escritos hebraicos, que chamou de Antigo Testamento, requeriam uma segunda parte que viesse a documentar o cumprimento das promessas de Deus. E, enfim, após um longo processo e já bem avançado no séc. V, ficou oficialmente reconhecido o cânon geral da Bíblia como a soma de ambos os Testamentos. Divisão do Novo Testamento.

    Desde o séc. V, o índice do Novo Testamento agrupa os livros da seguinte maneira:

    1. Evangelhos (4):
    a). Sinóticos (3): Mateus, Marcos e Lucas.
    b). João

    2. Atos dos Apóstolos (1)

    3. Epístolas (21):
    a) Paulinas (13): Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses, 2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito e Filemom.
    b) Epístola aos Hebreus (1)
    c) Universais (7): Tiago, 1Pedro,2Pedro, 1João, 2João, 3João e Judas

    4. Apocalipse (1)

    Essa catalogação dos livros do Novo Testamento não corresponde à ordem cronológica da sua redação ou publicação é, antes, um agrupamento temático e por autores. Talvez, deve-se ver nesse agrupamento o propósito de apresentar a revelação de Deus e o anúncio do seu reino eterno a partir da boa nova da encarnação (Evangelhos) até a boa nova do retorno glorioso de Cristo no fim dos tempos (Apocalipse), passando pela história intermediária da vida e da incumbência apostólica da Igreja (Epístolas).

    A transmissão do texto

    É realmente extraordinário o número de manuscritos do Novo Testamento que chegou a nós depois de tantos séculos desde que foram escritos. Ao todo, são mais de 5.000. Alguns são apenas pequenos fragmentos, tão deteriorados pelo tempo e pelas más condições ambientais, que a sua utilidade é praticamente nula. Mas são muito mais numerosos os manuscritos que, no todo ou em parte, se conservaram num estado suficientemente satisfatório para transmitir até o presente a sua mensagem e testificar assim a fidelidade dos cristãos que os escreveram.

    Assim sendo, os manuscritos que conhecemos não são autógrafos, isto é, nenhum provém da mão do próprio autor. Todos, sem exceção, são cópias de cópias dos textos originais gregos ou de traduções para outros idiomas. Copistas especializados pacientemente consagrados a esse labor de muitos anos de duração, os produziram nos lugares mais diversos e no decorrer de séculos.

    As cópias mais antigas até agora conhecidas são papiros que datam do séc. III, procedentes do Egito.

    O papiro é uma planta abundantemente encontrada às margens do Nilo. Da sua haste, cortada e prensada, preparavam-se tiras retangulares, que se uniam formando folhas de uns 30 centímetros de largura e vários metros de comprimento. Uma vez escritas, enrolavam-se as folhas com o texto para dentro, atando-as com fios.

    Os rolos de papiro eram de fácil fabricação, mas o seu manejo era incômodo. Ademais, tanto a umidade como o calor seco danificavam o material e impediam a sua prolongada duração. Por isso, em substituição ao papiro, entre os séculos II e V, se difundiu o uso de pergaminho, que era uma folha de pele de ovelha ou cordeiro especialmente curtida para poder-se escrever nela. Esse novo material, bastante mais custoso que o anterior, porém muito resistente e duradouro, permitiu, primeiro, a preparação de cadernos e, depois, o de códices, isto é, livros na forma em que os conhecemos atualmente. Entre os diversos códices da Bíblia descobertos até o dia de hoje, os mais antigos e, simultaneamente, mais completos são os chamados Sinaítico e Vaticano, ambos datados do séc. IV.

    Palestina romana

    Jesus nasceu em fins do reinado de Herodes, o Grande (47 a 4 a.C.) Homem cruel (cf. Mt 2.1-16) e, sem dúvida, inteligente, distinguiu-se pela grande quantidade de terras e cidades que conquistou e pelas numerosas e colossais construções com que as dotou. Entre estas, o templo de Jerusalém, do qual apenas se conservaram uns poucos restos pertencentes à muralha ocidental (o Muro das Lamentações).

    Após a morte de Herodes (Mt 2.15-19), o seu reino foi dividido entre os seus filhos Arquelau, Herodes Antipas e Filipe. Arquelau (Mt 2.22), etnarca da Judéia e Samaria, foi deposto pelo imperador Augusto no ano 6 d.C. A partir de então, o governo esteve em mãos de procuradores romanos, entre eles Pôncio Pilatos, que manteve o cargo desde o ano 26 até 36. Herodes Antipas (Lc 3.1) foi tetrarca da Galiléia e Peréia até o ano 39 e Filipe (Lc 3.1), até 34 o foi da Ituréia, Traconites e outras regiões orientais do Norte (Ver a Cronologia Bíblica).

    No ano 37, o imperador Calígula nomeou rei a Herodes Agripa e o colocou sobre a tetrarquia de Filipe, à qual logo acrescentou a de Herodes Antipas. Com a morte de Calígula (assassinado no ano 41), o seu sucessor, Cláudio, ampliou ainda mais os territórios de Agripa com a anexação da Judéia e Samaria. Desse modo, Agripa reinou até a sua morte (44 d.C.), praticamente sobre toda a Palestina.

    Antipas foi aquele que mandou prender e matar a João Batista (Mc 6.16-29) e Herodes Agripa foi quem perseguiu a igreja de Jerusalém e mandou matar a Tiago e prender a Pedro (At 12.1-19). O Novo Testamento fala também de outro Herodes Agripa, filho do anterior: o rei que, acompanhado da sua irmã e mulher Berenice, escutou o discurso pronunciado por Paulo em sua própria defesa, em Cesaréia (At 25.13-26.32).

    Por detrás de todos esses personagens se manteve, sempre vigilante, o poder romano. Roma era quem empossava ou demitia governantes nos países submetidos ao seu domínio, conforme lhe convinha. Durante a vida de Jesus e até à destruição de Jerusalém no ano 70, sucederam-se em Roma sete imperadores (ou césares). Três deles são mencionados no Novo Testamento: Augusto (Lc 2.1), Tibério (Lc 3.1) e Cláudio (At 11.28 18.2). E há um quarto, Nero, cujo nome não é mencionado, a quem Paulo faz tácita referência ao apelar ao tribunal de César (At 25.10-12 28.19).

    A Palestina fazia parte do Império Romano desde o ano 63 a.C. Essa circunstância significara a perda definitiva da sua independência nacional. Dois longos séculos de agitação política a tinham levado a um estado de irreparável prostração moral, de que Roma, pela mão do general Pompeu, aproveitou-se apoderando-se do país e integrando-o na província da Síria.

    A fim de manter a paz e a tranqüilidade nos seus territórios, Roma atuava geralmente com muita cautela, sem pressionar excessivamente a população submetida e sem forçá-la a mudar os seus próprios modelos da sociedade, nem os seus costumes, cultos e crenças religiosas. Inclusive, às vezes, a fim de pôr uma nota de tolerância e boa vontade, consentia a existência de certos governos nacionais, como os de Herodes, o Grande, e dos seus sucessores dinásticos. O que Roma nunca permitiu foi a agitação política e muito menos a rebelião aberta dentro das suas fronteiras. Quando isso ocorria, o exército se encarregava de restabelecer a ordem, atuando com presteza e com o máximo rigor. Foi isso que aconteceu no ano 70 d.C., quando Tito, filho do imperador Vespasiano, arrasou Jerusalém e provocou a “diáspora” (ou dispersão) de grande parte da população, a fim de acabar de uma vez por todas com as revoltas judaicas iniciadas uns quatro anos antes.

    Configuração física da Palestina

    O Jordão é o rio da Palestina. Nasce no monte Hermom e percorre o país de norte a sul, dividindo-o em dois: a Cisjordânia, ou lado ocidental, e a Transjordânia, ou lado oriental. Depois de atravessar o mar da Galiléia, corre serpenteante ao longo de uma depressão geológica cada vez mais profunda, até desembocar no mar Morto, a uns 110 km do lugar do seu nascimento e a quase 400 m abaixo do nível do Mediterrâneo.

    O mar Morto, de quase 1000 km² de superfície, deve o seu nome ao fato de que a alta proporção de sal e outros elementos dissolvidos nas suas águas fazem nelas impossível a vida de peixes e de plantas. Ao contrário, o mar (ou o lago) da Galiléia, também chamado de lago de Genesaré ou de Tiberíades (cf., p. ex., Mt 4.18 14.34 e Jo 6.1), de 145 km² de superfície e situado igualmente em uma profunda depressão (212 m abaixo do nível do Mediterrâneo), é uma grande represa natural de água doce em que abundam os peixes (cf. Lc 5.4-7 Jo 21.6-11).

    A Palestina é uma terra de montanhas. Na época do Novo Testamento, quase todas as suas cidades estavam situadas em algum ponto da cordilheira que desce, desde os maciços do Líbano (3.083 m) e do Hermom (2.760 m) até os limites meridionais do país na região desértica do Neguebe. Essa cadeia só se vê cortada pela planície de Jezreel (Js 17.16), que penetra nela, deixando ao norte os montes da Galiléia e ao sul os desvios das montanhas de Samaria.

    Alguns nomes do sistema orográfico da Palestina se conhecem pela menção que deles fazem os relatos bíblicos. No lado oriental do Jordão, p. ex., encontra-se o monte Nebo, de 1.146 m de altura e, no lado ocidental, o Carmelo (552 m), o Gerizim (868 m), o monte das Oliveiras (uns 800 m) e o Tabor (562 m).

    A Palestina achava-se limitada pelos desertos da Arábia e da Síria ao leste e, a oeste, pelo mar Mediterrâneo, separado das montanhas pelas terras baixas que começam na fértil planície de Sarom (cf. Ct 2.1 Is 35.2), junto ao monte Carmelo.

    Populações da Palestina

    Os Evangelhos e Atos dos Apóstolos mencionam um bom número de cidades, vilas e aldeias espalhadas pelo país, especialmente a oeste do Jordão e do mar Morto. Na região da Galiléia se encontravam, às margens do lago de Genesaré, Cafarnaum, Corazim e Magdala e, mais ao interior, Caná, Nazaré e Naim.

    Na região da Judéia, a quase 1.150 m acima do nível do mar Morto, eleva-se Jerusalém. Perto dela, ao sul, Belém a leste, sobre o monte das Oliveiras, Betânia e Betfagé e, a oeste, Emaús, mais longe, Lida e, por último, o porto de Jope. A partir daqui, descendo pelo litoral, Azoto e Gaza. O Novo Testamento menciona também algumas cidades e vilas palestinas que não pertenciam à Judéia ou Galiléia: Cesaréia de Filipe, na Ituréia Sarepta, Tiro e Sidom, no litoral da Fenícia Siquém, em Samaria.

    Sociedade e cultura no mundo judaico

    Os relatos dos evangelistas oferecem uma espécie de retrato da forma de vida dos judeus de então. As parábolas de Jesus e as ocorrências nos percursos que fez pela Palestina destacam a importância que, naquela sociedade, representavam os trabalhos do campo. A semeadura e a colheita de cereais, o plantio de vinhas e a colheita de uvas, a produção hortícola e as referências à oliveira, à figueira e a outras árvores são dados reveladores de uma cultura basicamente agrária, completada com a criação de rebanhos de ovelhas e cordeiros, de animais de carga e, inclusive, de manadas de porcos. Por outro lado, a pesca ocupava um lugar importante na atividade dos moradores que viviam nas aldeias costeiras do mar da Galiléia. Junto a essas profissões exerciam-se também outras de índole artesanal. Ali se encontravam perfumistas, tecelões, curtidores, carpinteiros (cf. Mc 6.3), oleiros e fabricantes de tendas de campanha (cf. At 18.3) e, certamente, também servidores domésticos, comerciantes, banqueiros e cobradores de impostos (ver Publicanos na Concordância Temática). Nos degraus mais baixos da escala sócio-econômica estavam os peões contratados ao salário do dia, os escravos (cf. Êx 21.1-11), as prostitutas e um número considerável de pessoas que sobreviviam com a prática da mendicância.

    Religião e política

    A religião e a política caminham juntas no mundo judaico. Eram dois componentes de uma só realidade, expressa no sentimento nacionalista que brotava da mesma fonte, a fé no Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A história do povo de Israel é a história da sua fé em Deus e a sua fé é a fé em que Deus governa toda a sua história.
    Por isso, o sumo sacerdote em exercício era precisamente aquele que presidia o Sinédrio, máximo órgão jurídico e administrativo da nação. Este consistia num conselho de 71 membros, no qual estavam representados os três grupos político-religiosos mais significativos da época:
    os sacerdotes, arrolados na sua maioria no partido saduceu
    os anciãos, geralmente fariseus e
    os mestres da Lei.

    O Sinédrio gozava de todas as competências de um governo autônomo, salvo aquelas em que Roma se reservava os direitos de última instância. O Sinédrio, p. ex., era competente para condenar à morte um réu, mas a ordem da execução exigia o visto da autoridade romana, como sucedeu no caso de Jesus (cf. Jo 19.10).

    Em relação aos partidos, convém assinalar que os fariseus eram os representantes mais rigorosos da espiritualidade judaica. Com a sua insistência na observância estrita da Lei mosaica e no respeito às tradições dos “pais” (isto é, os antepassados), exerciam uma forte influência no povo. Jesus reprovava o seu exagerado zelo ritual e o afã de satisfazer os mais insignificantes aspectos da letra da Lei, que os fazia esquecer freqüentemente os valores do espírito que a anima (cf. Mc 7.3-4,8-13. Ver 2Co 3.6).

    Os saduceus representavam, de certo modo, a aristocracia de Israel. Esse partido, mais reduzido numericamente que o fariseu, era formado, em grande parte, pelas poderosas famílias dos sumos sacerdotes. Na sua doutrina, em contraste com o que ensinavam os fariseus, os saduceus mantinham “não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito” (At 23.8).

    Tradicionalmente, se tem considerado que os zelotes constituíam um grupo judaico nacionalista que se rebelou contra Roma. Eram conhecidos também como cananitas. Com ambos os epítetos se identifica no Novo Testamento Simão, um dos doze discípulos de Jesus (ver Lc 6.15, nota n e cf. Mt 10.4 e Mc 3.18 com Lc 6.15 e At 1.13). Os zelotes desempenharam um papel muito ativo na rebelião dos anos 66 a 70.

    À parte desses três grupos, havia outros, como os herodianos, cuja identidade não se conseguiu esclarecer totalmente. É provável que se tratasse de pessoas a serviço de Herodes, embora alguns achem que o nome se adapte melhor aos partidários de Herodes e de sua dinastia.

    Os escribas, mestres da Lei ou rabinos formavam um grupo profissional e não um partido. Eram os encarregados de instruir o povo em matéria de religião. Não pertenciam, em geral, à classe sacerdotal, mas eram influentes e chegaram a gozar de uma elevada consideração como intérpretes das Escrituras e dirigentes do povo.

    Pouco tempo e pouco espaço necessitou Jesus de Nazaré para realizar uma obra cujas bênçãos haveriam de alcançar a todos os seres humanos de todos os tempos e de todos os lugares. O Novo Testamento dá testemunho disso: ele é o registro que, com a mesma singeleza com que o Filho de Deus se manifestou em carne, também fala do amor de Deus e da sua vontade salvadora.

    Fonte:
    iLúmina – A Bíblia do século XXI


    BÍBLIA – ANTIGO TESTAMENTO

    Dezembro 31, 2007

    Bíblia – Antigo Testamento

    TEXTO E FORMA

    Antigo Testamento é o nome dado, desde os primórdios do Cristianismo, às escrituras sagradas do povo de Israel, formadas por um conjunto de livros muito diferentes uns dos outros em caráter e gênero literário e pertencentes a diversas épocas e autores.

    O Antigo Testamento ocupa, sem dúvida, um lugar preeminente no quadro geral da importante literatura surgida no Antigo Oriente Médio. No decorrer da sua longa história, egípcios, sumérios, assírios, babilônicos, fenícios, hititas, persas e outros povos da região produziram um importante tesouro de obras literárias porém nenhuma delas se compara ao Antigo Testamento quanto à riqueza dos temas e beleza de expressão e, muito menos, quanto ao valor religioso.

    Os gêneros literários do Antigo Testamento

    Em termos gerais, todos os escritos do Antigo Testamento podem ser incluídos em um ou outro dos dois grandes gêneros literários que são a prosa e a poesia em tudo, uma segunda aproximação permite apreciar a grande diversidade de classes e estilos que, muitas vezes misturados entre si, configuram ambos os gêneros.

    Quanto à prosa, é o gênero no qual estão escritos textos como os seguintes:

    a) relatos históricos, presentes sobretudo nos livros de caráter narrativo e que, a partir de Abraão (Gn 11.27-25.11), referem-se ou diretamente ao povo de Israel e aos seus personagens mais significativos ou indiretamente aos povos e nações cuja história está relacionada muito de perto com Israel;
    b) o relato de Gn 1-3 sobre as origens do mundo e da humanidade, o qual, do ponto de vista literário, merece referência à parte;
    c) passagens especiais (p. ex., a história dos patriarcas), narrações épicas (p. ex., o êxodo do Egito e a conquista de Canaã), quadros familiares (p. ex., o livro de Rute), profecias (em parte), visões, crônicas oficiais, diálogos, discursos, instruções, exortações e genealogias;
    d) textos legais e normas de conduta e regulamentação da prática religiosa coletiva e pessoal.

    Quanto à poesia, o Antigo Testamento oferece vários modelos literários, que podem ser resumidos em:

    a) cúlticos (p. ex., Salmos e Lamentações);
    b) proféticos (uma parte muito importante dos textos dos profetas de Israel);
    c) sapienciais, os quais recolhem reflexões e ensinamentos relativos à vida diária (Provérbios e Eclesiastes) ou que giram em torno de algum problema de caráter teológico (Jó).

    Autores e tradição

    De acordo com a sua origem, os livros do Antigo Testamento podem ser classificados em dois grandes grupos. O primeiro é formado pelos escritos que deixam transparecer a atividade criadora do autor e parecem ser marcados pelo selo da sua personalidade. Tal é o caso de boa parte dos textos proféticos, cuja mensagem inicial foi, às vezes, ampliada, chegando, posteriormente, ao seu pleno desenvolvimento em âmbitos onde a inspiração do profeta original se deixava sentir com intensidade.

    No segundo grupo são incluídos os livros nos quais, não tendo permanecido marcas próprias do autor, foram as tradições que se encarregaram de transmitir a mensagem preservada pelo povo, proclamando-a e aplicando-a às circunstâncias próprias de cada tempo novo. A esse grupo pertence uma boa parte da narrativa histórica e da literatura cúltica e sapiencial.

    Transmissão do texto

    A passagem da tradição oral para a escrita chega ao Antigo Testamento num tempo em que o papiro e o pergaminho já estavam em uso como materiais de escrita. Deles se faziam longas tiras que, convenientemente unidas, formavam os chamados “rolos”, uma espécie de cilindros de peso e volume às vezes consideráveis. Assim, chegaram até nós os textos do Antigo Testamento (cf. Jr 36), ainda que não nos seus manuscritos hebraicos originais, porque com o tempo todos desapareceram, mas graças à grande quantidade de cópias feitas ao longo de muitos séculos. Dentre elas, as mais antigas que temos pertencem ao séc. I a.C. Foram descobertas em lugares como Qumran, a oeste do mar Morto, algumas em muito bom estado de conservação e outras, muito deterioradas e reduzidas a fragmentos.

    Das cópias que contêm o texto integral da Bíblia Hebraica, a mais antiga é o Códice de Alepo, que data do séc. X d.C. e é o reflexo da tradição tiberiense.

    O sistema alfabético utilizado nos primitivos manuscritos hebraicos carecia de vogais: na sua época e de acordo com um uso comum de diversas línguas semíticas, somente as consoantes tinham representação gráfica. Essa peculiaridade era, obviamente, uma fonte de sérios problemas de leitura e interpretação dos escritos bíblicos, cuja unificação realizaram os especialistas judeus do final do séc. I d.C.

    O trabalho daqueles sábios foi favorecido na última parte do séc. V a.C. pelo desenvolvimento, sobretudo em Tiberíades e Babilônia, de um sistema de leitura que culminou entre os séculos VIII e XI d.C. com a composição do texto chamado “massorético”. Nele, fruto do intenso trabalho realizado pelos “massoretas” (ou “transmissores da tradição”), ficou definitivamente fixada a leitura da Bíblia Hebraica através de um complicado conjunto de sinais vocálicos e entonação.

    Apesar do excelente cuidado que os copistas tiveram para fazer e conservar as cópias do texto bíblico, nem sempre puderam evitar que aqui e ali fossem introduzidas pequenas variantes na escrita. Por isso, a fim de descobrir e avaliar tais variantes, o estudo dos antigos manuscritos implica uma minuciosa tarefa de comparação de textos, não somente entre umas ou outras cópias hebraicas, mas também em antigas traduções para outras línguas:
    o texto samaritano do Pentateuco (escrita samaritana)
    as versões gregas, especialmente a LXX (feita em Alexandria entre os séculos III e II a.C. e utilizada freqüentemente pelos escritores do Novo Testamento)
    as aramaicas (os targumim, versões parafrásticas)
    as latinas, em especial a Vulgata
    as siríacas, as coptas ou a armênia. Os resultados desse trabalho de fixação do texto se encontram sintetizados nas edições críticas da Bíblia Hebraica.

    GEOGRAFIA E RELIGIÃO

    A Palestina do Antigo Testamento

    A região onde se desenrolaram os acontecimentos mais importantes registrados no Antigo Testamento está situada na zona imediatamente a leste da bacia do Mediterrâneo. O nome mais antigo dela registrado na Bíblia é “terra de Canaã” (Gn 11.31), substituído posteriormente, entre os israelitas, por “terra de Israel” (1Sm 13.19 Ez 11.17 Mt 2.20). Os gregos e romanos preferiram chamá-la de “Palestina”, termo derivado do apelativo “filisteu”, pelo qual era conhecido o povo que habitava a costa do Mediterrâneo. No tempo em que o Império Romano dominou o país, pelo menos uma região deste recebeu o nome de “Judéia”. Durante a maior parte do período monárquico (931-586 a.C.), a terra de Israel esteve dividida em duas: ao sul, o reino de Judá, sendo Jerusalém sua capital e ao norte, o reino de Israel, tendo a cidade de Samaria como capital. As grandes diferenças políticas que separavam ambos os reinos aumentaram ainda mais quando, em 721 a.C., o reino do Norte foi conquistado pelo exército assírio.

    O território palestino é formado por três grandes faixas paralelas que se estendem do Norte ao Sul. A ocidental, uma planície banhada pelo Mediterrâneo, estreita-se em direção ao Norte, na Galiléia, e depois fica cercada pelo monte Carmelo. Nessa planície se encontravam as antigas cidades de Gaza, Asquelom, Asdode e Jope (atualmente um subúrbio de Tel Aviv) e a Cesaréia romana, de construção mais recente.

    A faixa central é formada por uma série de montanhas que, desde o Norte, como que se desprendendo da cordilheira do Líbano, descem paralelas pela costa até penetrar no Sul, no deserto de Neguebe. O vale de Jezreel (ou de Esdrelom), entre a Galiléia e Samaria, cortava a cadeia montanhosa, cujas duas alturas máximas estão uma (1.208 m) na Galiléia e a outra (1.020 m), na Judéia. Nessa faixa central do país, encontra-se a cidade de Jerusalém (cerca de 800 m acima do nível do mar) e outras importantes da Judéia, Samaria e Galiléia.

    A oriente da região montanhosa serpenteia o rio Jordão, o maior rio da Palestina, o qual nasce ao norte da Galiléi

    a, no monte Hermom, e caminha em direção ao sul ao longo de 300 km, (pouco mais de 100 km, em linha reta). No seu curso, atravessa o lago Merom e depois o mar ou lago da Galiléia (ou ainda “mar de Tiberíades”) e corre por uma depressão que se torna cada vez mais profunda, até desembocar no mar Morto, a 392 m abaixo do nível do Mediterrâneo.

    Mais além da depressão do Jordão, no seu lado oriental, o terreno torna a elevar-se. Sobretudo na região norte há cumes importantes, como, já fora da Palestina, o monte Hermom, com até 2.758 m de altura.

    A Palestina é predominantemente seca, desértica em extensas regiões do Leste e Sul do país, com montanhas muito pedregosas e poucos espaços com condições favoráveis para o cultivo. Os terrenos férteis, próprios para a agricultura, encontram-se, sobretudo, na planície de Jezreel, ao norte, no vale do Jordão e nas terras baixas que, ao ocidente, acompanham a costa. As altas temperaturas predominantes se atenuam nas partes elevadas, onde as noites podem chegar a ser frias. As duas estações mais importantes são o inverno e o verão (cf. Gn 8.22 Mt 24.20,32), mas, quanto ao clima, o essencial para os trabalhos agrícolas é a regularidade na chegada das chuvas: as temporãs (entre outubro e novembro) e as serôdias (entre dezembro e janeiro). Armazena-se, então, a água em algibes (ou cisternas), para poder tê-la durante os outros meses do ano.

    Valorização religiosa do Antigo Testamento

    No Antigo Testamento, como em toda a Bíblia, é reconhecida, em sua origem, uma autêntica experiência religiosa. Deus se revelou ao povo de Israel na realidade da sua história e fez isso como o único Deus, Criador e Senhor do universo e da história, não se assemelhando a nenhuma outra experiência humana, nem identificando-se com alguma imagem feita pelos homens. Deus é o Autor da vida, o Criador da existência de todos os seres e é um Deus salvador, que está sempre ao lado do seu povo, mas que não se deixa manipular por ele que impõe obrigações morais e sociais, que não se deixa subornar, que protege os fracos e ama a justiça. É um Deus que se achega ao povo, especialmente no culto um Deus perdoador, que quer que o pecador viva, porém julga com justiça e castiga a maldade. As idéias e a linguagem do Antigo Testamento transparecem nos escritos do Novo Testamento, em cujo pano de fundo está sempre presente o Deus do Antigo Testamento, o Pai de Jesus Cristo, em quem é revelado, definitivamente, o seu amor e a sua vontade salvadora para todo aquele que o recebe pela fé.

    O Antigo Testamento dá especial atenção ao relacionamento de Deus com Israel, o seu povo escolhido. Um dos mais importantes aspectos desse relacionamento é a Aliança com Israel, mediante a qual Javé se compromete a ser o Deus daquele povo que tomou como a sua possessão particular e dele exige o cumprimento religioso dos mandamentos e das leis divinas. Assim, a fé comum, as celebrações cúlticas e a observância da Lei são os elementos que configuram a unidade de Israel, uma unidade que se rompe quando se torna infiel ao Deus ao qual pertence. A história de Israel como povo escolhido revela que o mais importante é manter a sua identidade religiosa em meio ao mundo ao seu redor, passo necessário que será dado em direção à mensagem universal que depois, em Jesus Cristo, será proclamada pelo Novo Testamento.

    Nem todos os aspectos do Antigo Testamento mantêm igual vigência para o cristão. O Antigo Testamento deve ser interpretado à luz da sua máxima instância, que é Jesus Cristo. A projeção histórica e profética do povo de Israel no Antigo Testamento é uma etapa precursora no caminho que conduz à plena revelação divina em Cristo (Hb 1.1-2). Por outro lado, o Novo Testamento é o testemunho de fé de que as promessas feitas por Deus a Israel são cumpridas com a vinda do Messias (cf., p. ex., Mt 1.23 Lc 3.4-6 At 2.16-21 Rm 15.9-12). Por isso, certas instruções absolutamente válidas para o povo judeu deixam de ser igualmente vigentes para o novo povo de Deus, que é a Igreja (cf. At 15 Gl 3.23-29 Cl 2.16-17 Hb 7.11-10.18) e alguns aspectos da lei de Moisés, do culto do Antigo Testamento e da doutrina sobre o destino do ser humano, pessoal e comunitariamente considerado, devem ser interpretados à luz do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

    HISTÓRIA E CULTURA

    A existência de Israel como povo remonta, provavelmente, ao último período do séc. XI a.C. Era o tempo do nascimento da monarquia e da unificação das diversas tribos, que viviam separadas entre si até que, sob o governo do rei Davi, constituiu-se o Estado nacional, com Jerusalém por capital.

    Até chegar a esse momento, a formação do povo havia sido lenta e difícil, mesclada freqüentemente com a história das mais antigas civilizações que floresceram no Egito, às margens do Nilo e na Mesopotâmia, nas terras regadas pelo Tigre e o Eufrates. As fontes extrabíblicas da história de Israel naquela época são muito limitadas, carentes da base documental necessária para se estabelecerem com precisão as origens do povo hebreu. Nesse aspecto, o livro de Gênesis proporciona alguns dados de valor inestimável, pois o estudo dos relatos patriarcais permite descobrir alguns aspectos fundamentais da origem do povo israelita.

    A época dos patriarcas Os personagens do Antigo Testamento, habitualmente denominadas “patriarcas”, eram chefes de grupos familiares seminômades que iam de um lugar a outro em busca de comida e água para os seus rebanhos. Não havendo chegado ainda à fase cultural do sedentarismo e dos trabalhos agrícolas, os seus assentamentos eram, em geral, eventuais: duravam o tempo em que os seus gados demoravam para consumir os pastos.

    Gênesis oferece uma visão particular do começo da história de Israel, que é mais propriamente a história de uma família. Procedentes da cidade mesopotâmica de Ur dos caldeus, situada junto ao Eufrates, Abraão e a sua esposa chegaram ao país de Canaã. Deus havia prometido a Abraão que faria dele uma grande nação (Gn 12.1-3 cf. 15.1-21 17.1-4) e, conforme essa promessa, nasceu o seu filho Isaque, que, por sua vez, foi o pai de Jacó. Durante a sua longa viagem, primeiro na direção norte e depois na direção sul, Abraão deteve-se em diversos lugares mencionados na Bíblia: Harã, Siquém, Ai e Betel (Gn 11.31-12.9) atravessou a região desértica do Neguebe e chegou até o Egito, de onde, mais tarde, regressou para, finalmente, estabelecer-se em um lugar conhecido como “os carvalhais de Manre”, junto a Hebrom (Gn 13.1-3,18). Ao morrer Abraão (Gn 25.7-11 cf. 23.2,17-20), Isaque converte-se no protagonista do relato bíblico, que o apresenta como habitante de Gerar e Berseba (Gn 26.6,23), lugares do Neguebe (Gn 24.62), na região meridional da Palestina. Isaque, herdeiro das promessas de Deus a Abraão, aparece no meio de um quadro descritivo da vida seminômade do segundo milênio a.C.: busca de campos de pastoreio, assentamentos provisórios, ocasionais trabalhos agrícolas nos limites de povoados fronteiriços e discussões por causa dos poços de água onde se dava de beber ao gado (Gn 26).

    Depois de Isaque, a atenção do relato concentra-se nos conflitos pessoais surgidos entre Jacó e o seu irmão Esaú, que são como que uma visão antecipada dos graves problemas que, posteriormente, haveriam de acontecer entre os israelitas, descendentes de Jacó, e os edomitas, descendentes de Esaú. A história de Jacó é mais longa e complicada que as anteriores. Consta de uma série de relatos entrelaçados: a fuga do patriarca para a região mesopotâmica de Padã-Arã a inteligência e a riqueza de Jacó o regresso a Canaã o episódio de Peniel, onde Deus mudou o nome de Jacó para Israel (Gn 32.28) a revelação de Deus e a renovação das suas promessas (Gn 35.1-15) a história de José e a morte de Jacó no Egito (Gn 37.1-50.14).

    A saída do Egito

    A situação política e social das tribos israelitas, do Egito e dos países do Oriente Médio, no período que vai da morte de José à época de Moisés, sofreu mudanças consideráveis.

    O Egito viveu um tempo de prosperidade depois de expulsar do país os invasores hicsos. Este povo oriundo da Mesopotâmia, depois de passar por Canaã, havia se apropriado, no início do séc. XVIII a.C., da fértil região egípcia do delta do Nilo. Os hicsos dominaram no Egito cerca de um século e meio, e, provavelmente, foi nesse tempo que Jacó se instalou ali com toda a sua família. Esta poderia ser a explicação da acolhida favorável que foi dispensada ao patriarca, e de que alguns dos seus descendentes, como aconteceu com José (Gn 41.37-43), chegaram a ocupar postos importantes no governo do país.

    A situação mudou quando os hicsos foram finalmente expulsos do Egito. Os estrangeiros residentes, entre os quais encontravam-se os israelitas, foram submetidos a uma dura opressão. Essa mudança na situação política está registrada em Êx 1.8, que diz que subiu ao trono do Egito um novo rei “que não conhecera a José.” Durante o mandato daquele faraó, os israelitas foram obrigados a trabalhar em condições subumanas na edificação das cidades egípcias de Pitom e Ramessés (Êx 1.11). Porém, em tais circunstâncias, teve lugar um acontecimento que haveria de permanecer gravado, para sempre, nos anais de Israel: Deus levantou um homem, Moisés, para constituí-lo libertador do seu povo.

    Moisés, apesar de hebreu por nascimento, recebeu uma educação esmerada na própria corte do faraó. Certo dia, Moisés viu-se obrigado a fugir para o deserto, e ali Javé (nome explicado em Êx 3.14 como “EU SOU O QUE SOU”) revelou-se a ele e lhe deu a missão de libertar os israelitas da escravidão a que estavam submetidos no Egito (Êx 3.1-4.17). Regressou Moisés ao Egito e, depois de vencer com palavras e ações maravilhosas a resistência do faraó, conseguiu que a multidão dos israelitas se colocasse em marcha em direção ao deserto do Sinai.

    Esse capítulo da história de Israel, a libertação do jugo egípcio, marcou indelevelmente a vida e a religião do povo. A data precisa desse acontecimento não pode ser determinada. Têm-se sugerido duas possibilidades: até meados do séc. XV e até meados do séc. XIII. (Neste último caso seria durante o reinado de Ramsés II ou do seu filho Meneptá.).

    Durante os anos de permanência no deserto do Sinai, enquanto os israelitas dirigiam-se para Canaã, produziu-se um acontecimento de importância capital: Deus instituiu a sua Aliança com o seu povo escolhido (Êx 19). Essa Aliança significou o estabelecimento de um relacionamento singular entre Javé e Israel, com estipulações fundamentais que ficaram fixadas na lei mosaica, cuja síntese é o Decálogo (Êx 20.1-17). A conquista de Canaã e o período dos juízes.

    Depois da morte de Moisés (Dt 34), a direção do povo foi colocada nas mãos de Josué, a quem coube guiá-lo ao país de Canaã, a Terra Prometida. A entrada naqueles territórios iniciou-se com a passagem do Jordão, fato de grande significação histórica, porque com ela inaugurava-se um período decisivo para a constituição da futura nação israelita (Js 1-3).

    Conquistar e assentar-se em Canaã não se tornou empresa fácil. Foi um longo e duro processo (cf. Jz 1), às vezes, de avanço pacífico, mas, às vezes, de inflamados choques com os hostis povos cananeus (cf. Jz 4-5), formados por populações diferentes entre si, ainda que todas pertencentes ao comum tronco semítico muitas delas terminaram absorvidas por Israel (cf. Js 9).

    Naquele tempo da chegada e conquista de Canaã, os grandes impérios do Egito e da Mesopotâmia já haviam iniciado a sua decadência. Destes eram vassalos os pequenos Estados cananeus, de economia agrícola e cuja administração política limitava-se, geralmente, a uma cidade de relativa importância nos limites das suas terras. Em relação à religião, caracterizava-se sobretudo pelos ritos em honra a Baal, Aserá e Astarote, e a deuses secundários, geralmente divindades da fecundidade.

    A etapa conhecida como “período dos juízes de Israel” sucedeu à morte de Josué (Js 24.29-32). Desenvolveu-se entre os anos 1200 e 1050 a.C., e a sua característica mais evidente foi, talvez, a distribuição dos israelitas em grupos tribais, mais ou menos independentes e sem um governo central que lhes desse um mínimo sentido de organização política. Naquelas circunstâncias surgiram alguns personagens que assumiram a direção de Israel e que, ocasionalmente, atuaram como estrategistas e o guiaram nas suas ações de guerra (ver, p. ex., em Jz 5, o Cântico de Débora, que celebra o triunfo de grupos israelitas aliados contra as forças cananéias). Entre todos os povos vizinhos, foram, provavelmente, os filisteus que representaram para Israel a mais grave ameaça. Procedentes de Creta e de outras ilhas do Mediterrâneo oriental, os filisteus, conhecidos também como “os povos do mar”, que primeiramente haviam intentado sem êxito penetrar no Egito, apoderaram-se depois (por volta de 1175 a.C.) das planícies costeiras da Palestina meridional. Ali estabeleceram-se e constituíram a “Pentápolis”, o grupo das cinco cidades filistéias: Asdode, Gaza, Asquelom, Gate e Ecrom (1Sm 6.17), cujo poder reforçou-se com a sua aliança e também com o monopólio da manufatura do ferro, utilizado tanto nos seus trabalhos agrícolas quanto nas suas ações militares (1Sm 13.19-22).

    O início da monarquia de Israel

    A figura política dos “juízes”, apta para resolver assuntos de caráter tribal, mostrou-se ineficaz ante os problemas que, mais tarde, haveriam de ameaçar a sobrevivência do conjunto de Israel no mundo palestino. Assim, pouco a pouco, veio a implantação da monarquia e, com ela, uma forma de governo unificado, dotado da autoridade necessária para manter uma administração nacional estável. Ainda que a monarquia tenha enfrentado, no início, fortes resistências internas (1Sm 8), paulatinamente chegou a impor-se e consolidar-se. Samuel, o último dos juízes de Israel, foi sucedido por Saul, que em 1040 a.C. iniciou o período da monarquia, que se prolongou até 586 a.C., quando, durante o reinado de Zedequias, os babilônios sitiaram e destruíram Jerusalém, tendo Nabucodonosor à frente. Saul, que começou a reinar depois de ter obtido uma vitória militar (1Sm 11) e de ter triunfado em outras ocasiões, todavia, nunca conseguiu acabar com os filisteus, e foi lutando contra eles no monte Gilboa que morreram os seus três filhos e ele próprio (1Sm 31.1-6).

    Saul foi sucedido por Davi, proclamado rei pelos homens de Judá na cidade de Hebrom (2Sm 2.4-5). O seu reinado iniciou-se, pois, na região meridional da Palestina, mas depois estendeu-se em direção ao norte. Reconhecido como rei por todas as tribos israelitas, conseguiu unificá-las sob o seu governo. Durante o tempo em que Davi viveu, produziram-se acontecimentos de grande importância: a anexação à nova entidade nacional de algumas cidades cananéias antes independentes, a submissão de povos vizinhos e a conquista de Jerusalém, convertida desde então na capital do reino e centro religioso por excelência. Próximo já da sua morte, Davi designou por sucessor o seu filho Salomão, sob cujo governo alcançou o reino as mais altas cotas de esplendor. Salomão soube estabelecer importantes relacionamentos políticos e comerciais, geradores de grandes benefícios para Israel. As riquezas acumuladas sob o seu governo permitiram realizar em Jerusalém construções de enorme envergadura, como o Templo e o palácio real. O prestígio de Salomão fez-se proverbial, e a fama da sua prudência e sabedoria nunca tiveram paralelo na história dos reis de Israel (1Rs 5-10).

    A ruptura da unidade nacional

    A despeito de todas as circunstâncias favoráveis que rodearam o reinado de Salomão, foi precisamente aí que a unidade do reino começou a fender-se. Por um e outro lado do país, surgiam vozes de protesto pelos abusos de autoridade, pelos maus tratos infligidos à classe trabalhadora e pelo agravamento dos tributos destinados a cobrir os gastos que originavam as grandes construções. Tudo isso, fomentando atitudes de descontentamento e rebeldia, foi causa do ressurgimento de antigas rivalidades entre as tribos do Norte e do Sul.

    Os problemas chegaram ao extremo quando, morto Salomão, ocupou o trono o seu filho Roboão (1Rs 12.1-24). Sem a sensatez do seu pai, Roboão provocou, com imprudentes atitudes pessoais, a ruptura do reino: de um lado, a tribo de Judá, que seguiu fiel a Roboão e manteve a capital em Jerusalém de outro, as tribos do Norte, que proclamaram rei a Jeroboão, antigo funcionário da corte de Salomão. Desde esse momento, a divisão da nação em reino do Norte e reino do Sul se fez inevitável.

    Judá, sempre governada por um membro da dinastia davídica, subsistiu por mais de trezentos anos, ainda que a sua independência nacional tivesse sofrido importantes oscilações desde que, no final do séc. VIII a.C., a Assíria a submeteu a uma dura vassalagem. Aquele antigo império dominou a Palestina até que medos e caldeus, já próximo do séc. VI a.C., apagaram-na do panorama da história (Na 1-3). Então, em Judá, onde reinava Josias, renasceram as esperanças de recuperar a perdida independência mas, depois da batalha de Megido (609 a.C.), com a derrota de Judá e a morte de Josias (2Cr 35.20-24), o reino entrou em uma rápida decadência, que terminou com a destruição de Jerusalém em 586 a.C. O Templo e toda a capital foram arrasados, um número grande dos seus habitantes foi levado ao exílio, e a dinastia davídica chegou ao seu fim (2Rs 25.1-21). Ao que parece, a perda da independência de Judá supôs a sua incorporação à província babilônica de Samaria mas, além disso, o país havia ficado arruinado, primeiro pela devastação que causaram os invasores e em seguida pelos saques a que o submeteram os seus povos vizinhos, Edom (Ob 11), Amom e outros (Ez 25.1-4).

    O reino do Norte, Israel, nunca chegou a gozar uma situação politicamente estável. A sua capital mudou de lugar em diversas ocasiões, antes de ficar finalmente instalada na cidade de Samaria (1Rs 16.24), e várias tentativas para constituir dinastias duradouras terminaram em fracasso, freqüentemente de modo violento (Os 8.4). A aniquilação do reino do Norte sob a dominação assíria ocorreu gradualmente: primeiro foi a imposição de um grande tributo (2Rs 15.19-20) em seguida, a conquista de algumas povoações e a conseqüente redução das fronteiras do reino e, por último, a destruição de Samaria, o exílio de uma parte da população e a instalação de um governo estrangeiro no país conquistado.

    O exílio

    Os babilônios permitiram que os exilados do reino de Judá formassem famílias, construíssem casas, cultivassem pomares (Jr 29.5-7) e chegassem a consultar os seus próprios chefes e anciãos (Ez 20.1-44) e, igualmente, permitiram-lhes viver em comunidade, em um lugar chamado Tel-Abibe, às margens do rio Quebar (Ez 3.15). Assim, pouco a pouco, foram-se habituando à sua situação de exilados na Babilônia. Em semelhantes circunstâncias, a participação comum nas práticas da religião foi, provavelmente, o vínculo mais forte de união entre os membros da comunidade exilada e a instituição da sinagoga teve um papel relevante como ponto de encontro para a oração, a leitura e o ensinamento da Lei, o canto dos Salmos e o comentário dos escritos dos profetas.

    Desta maneira, com o exílio, a Babilônia converteu-se num centro de atividade religiosa, onde um grupo de sacerdotes entregou-se com empenho à tarefa de reunir e preservar os textos sagrados que constituíam o patrimônio espiritual de Israel. Entre os componentes desse grupo se contava Ezequiel, que, na sua dupla condição de sacerdote e profeta (Ez 1.1-3 2.1-5), exerceu uma influência singular.

    Dadas as condições de tolerância e até de bem-estar em que viviam os exilados na Babilônia, não é de estranhar que muitos deles renunciassem, no seu tempo, regressar ao seu país. Outros, pelo contrário, mantendo vivo o ressentimento contra a nação que os havia arrancado da sua pátria e que era causa dos males que lhes haviam sobrevindo, suspiravam pelo momento do regresso ao seu longínquo país (Sl 137 Is 47.1-3).

    Retorno e restauração

    A esperança de uma rápida libertação cresceu entre os exilados quando Ciro, rei de Anshan, empreendeu a sua carreira de conquistador e fundador de um novo império. Elevado já ao trono da Pérsia (559-530 a.C.), as suas qualidades de estrategista e de político permitiram-lhe superar rapidamente três etapas decisivas: primeiro, a fundação do reino medo-persa, com a sua capital Ecbatana (553 a.C.) segundo, a conquista de quase toda a Ásia Menor, culminada com a vitória sobre o rei de Lídia (546 a.C.) terceiro, a entrada triunfal na Babilônia (539 a.C.). Desse modo, ficou configurado o império persa, que, durante mais de dois séculos, dominou o panorama político do Oriente Médio.

    Ciro praticou uma política de bom relacionamento com os povos submetidos. Permitiu que cada um conservasse os seus usos, costumes e tradições e que praticasse a sua própria religião, atitude que redundou em benefício aos judeus residentes na Babilônia, os quais, por decreto real, ficaram com a liberdade de regressar à Palestina.

    O livro de Esdras contém duas versões do referido decreto (Ed 1.2-4 e 6.3-12), no qual se ampararam os exilados que quiseram voltar à pátria. E é importante assinalar que o imperador persa não somente permitiu aquele regresso, mas também devolveu aos judeus os ricos utensílios do culto que Nabucodonosor lhes havia arrebatado e levado à Babilônia. Para maior abundância, Ciro ordenou também uma contribuição de caráter oficial para apoiar economicamente a reconstrução do templo de Jerusalém.

    O retorno dos exilados realizou-se de forma paulatina, por grupos, o primeiro dos quais chegou a Jerusalém sob a liderança de Sesbazar (Ed 1.11). Tempos depois iniciaram-se as obras de reconstrução do Templo, que se prolongaram até 515 a.C. Para dirigir o trabalho e animar os operários contribuíram o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué, apoiados pelos profetas Ageu e Zacarias (Ed 5.1). O passar do tempo deu lugar a muitos problemas de índole muito diversa. As duras dificuldades econômicas às quais tiveram que fazer frente, as divisões no seio da comunidade e, muito particularmente, as atitudes hostis dos samaritanos foram causa da degradação da convivência entre os repatriados em Jerusalém e em todo Judá.

    Ao conhecer os problemas que afligiam o seu povo, um judeu chamado Neemias, residente na cidade de Susã, copeiro do rei persa Artaxerxes (Ne 2.1), solicitou que, com o título de governador de Judá, tivesse a permissão de ajudar o seu povo (445 a.C.). Neemias revelou-se um grande reformador, que atuou com capacidade e eficácia. A sua presença na Palestina foi decisiva, não somente para que se reconstruíssem os muros de Jerusalém, mas também para que a vida da comunidade judaica experimentasse uma mudança profunda e positiva (cf. Ne 8-10).

    Artaxerxes investiu, também de poderes extraordinários, ao sacerdote e escriba Esdras, a fim de que este, dotado de plena autoridade, se ocupasse de todas as necessidades do Templo e do culto em Jerusalém e cuidasse de colocar sob a lei de Deus tanto os judeus recém-repatriados como os que nunca haviam saído da Palestina (Ed 7.12-26). Entre eles, promoveu Esdras uma mudança religiosa e moral tão profunda, que, a partir de então, Israel converteu-se no “povo do Livro”. A sua figura ocupa nas tradições judaicas um lugar comparável ao de Moisés. Com relação às referências a Artaxerxes no livro de Esdras (7.7) e no de Neemias (2.1), se correspondem a um só personagem ou a dois, os historiadores não têm chegado a uma conclusão definitiva.

    O período helenístico

    O domínio persa no Oriente Médio chegou ao seu fim quando o exército de Dario III sucumbiu em Isso (333 a.C.) ante as forças de Alexandre Magno (356-323 a.C.). Ali começou a hegemonia do helenismo, que se manteve até 63 a.C. e que entre os seus sucessos contou com o estabelecimento de importantes vínculos entre Oriente e Ocidente. Mas as rivalidades surgidas entre os sucessores de Alexandre (os Diádocos) impediram o estabelecimento de uma unidade política eficaz nos territórios que ele havia conquistado. De tais divisões originou-se, com referência à Palestina, a que fora dominada primeiro pelos ptolomeus (ou lágidas) do Egito e depois pelos selêucidas da Síria, duas das dinastias fundadas pelos generais sucessores de Alexandre. Durante a época helenística estendeu-se consideravelmente o uso do grego, e muitos judeus residentes na “diáspora” (ou “dispersão”) habituaram-se a utilizá-lo como língua própria. Chegou um momento em que se fez necessário traduzir a Bíblia Hebraica para atender às necessidades religiosas das colônias judaicas de fala grega. Essa tradução, chamada de Septuaginta ou Versão dos Setenta, foi feita aproximadamente entre os anos 250 e 150 a.C.

    Durante o reinado do selêucida Antíoco IV Epífanes (175-163 a.C.), produziu-se na Palestina um intento de helenização do povo judeu, que causou entre os seus membros uma grave dissensão. Muitos adotaram abertamente costumes próprios da cultura grega, divergentes das práticas judaicas tradicionais, enquanto que outros se agarraram com tenaz fanatismo à lei mosaica. A tensão entre eles foi crescendo até desembocar na rebelião dos macabeus. Essa rebelião desencadeou-se quando um ancião sacerdote chamado Matatias e os seus cinco filhos organizaram a luta contra o exército sírio. Depois da morte de Matatias, Judas, o seu terceiro filho, ficou à frente da resistência e, chefiando os seus, reconquistou o templo de Jerusalém, que havia sido profanado pelos sírios, e o purificou e o dedicou. A Hannuká ou Festa da Dedicação (Jo 10.22) comemora esse fato. Convertido em herói nacional, Judas foi o primeiro a receber o sobrenome de “macabeu” (provavelmente “martelo”), que depois foi dado também aos seus irmãos.

    Depois da morte de Simão, o último dos macabeus, a sucessão recaiu sobre o seu filho João Hircano I (134-104 a.C.), com quem teve início a dinastia hasmonéia. Ainda viveu a Judéia alguns dias de esplendor, mas, em geral, durante o governo dos hasmoneus, a estabilidade política deteriorou-se progressivamente. Mais tarde, entrou em jogo o Império Romano, e, no ano 63 a.C., o general Pompeu conquistou Jerusalém e a anexou, com toda a Palestina, à que já era oficialmente província da Síria. A partir desse momento, a própria vida religiosa judaica ficou hipotecada, dirigida aparentemente pelo sumo sacerdote em exercício, mas submetida, em última instância, à autoridade imperial.

    Fonte:
    iLúmina – A Bíblia do século XXI